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"É um momento difícil, mas de muita esperança", diz mãe de Marielle sobre julgamento no STF

Familiares acompanham sessão na Primeira Turma do STF e cobram responsabilização dos acusados pelo assassinato de Marielle Franco e Anderson Gomes

Anielle Franco e Marinete Silva (Foto: Gustavo Moreno/STF)

247 - As famílias de Marielle Franco e Anderson Gomes acompanham, nesta terça-feira (24), o início do julgamento dos cinco acusados de envolvimento nos assassinatos da vereadora e do motorista, crime ocorrido em março de 2018, no Rio de Janeiro. Pouco antes da sessão na Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF), parentes das vítimas falaram à imprensa sobre a expectativa em relação ao desfecho do caso.

Mãe da parlamentar, Marinete Franco descreveu o momento como carregado de dor, mas também de esperança após quase oito anos de espera por respostas. “É um momento difícil, mas também de muita esperança. Eu acho que, diante do que a gente tem vivido nesses oito anos, tem sido, além de uma experiência de dor que não é possível, é dizer e significar o que é isso”, afirmou.

Ela reforçou a confiança de que o Estado brasileiro apresentará uma resposta definitiva à sociedade. “A gente confia muito na situação. Eu tenho dado resposta para o Brasil e para o mundo. É na hora de a gente também ter, o Estado brasileiro e o estado do Rio de Janeiro, principalmente, ter uma resposta positiva em relação aos mandantes dessa barbárie”, acrescentou.

O pai de Marielle, Antonio, também se emocionou ao comentar o início do julgamento e destacou a expectativa por justiça. “Todos os cinco não deram nenhuma chance de defesa com a Marielle e Anderson, mas hoje eles estão com uma banca de advogado defendendo eles para que não sejam condenados pelo que fizeram. Espero e confio cegamente na Primeira Turma do STF, que são juízes com grande saber jurídico e não vão se deixar levar pelas falácias dos advogados que defendem os réus”, declarou.

Filha da vereadora, Luyara Franco classificou a sessão no Supremo como um marco institucional. “O Estado brasileiro precisa dar resposta para a sociedade, para a democracia, que a gente não pode deixar impune. A justiça plena para a minha mãe, para o Anderson, passa pela responsabilização, passa pela não repetição e pela reparação para nossas famílias”, ressaltou.

A Primeira Turma do STF analisa, em duas sessões, a responsabilidade dos suspeitos apontados pela Polícia Federal e pela Procuradoria-Geral da República (PGR) como mandantes do crime. Os ministros vão decidir se os cinco acusados são culpados ou inocentes com base nas investigações conduzidas pelas autoridades.

Respondem à ação penal o conselheiro do Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro, Domingos Brazão; seu irmão, o ex-deputado Chiquinho Brazão; o delegado e ex-chefe da Polícia Civil do Rio, Rivaldo Barbosa; o ex-major da Polícia Militar Ronald Paulo de Alves Pereira; e o ex-assessor de Domingos Brazão, Robson Calixto Fonseca, conhecido como “Peixe”.

Domingos Brazão, Chiquinho Brazão, Rivaldo Barbosa e Ronald Paulo de Alves Pereira tornaram-se réus por duplo homicídio qualificado e por tentativa de homicídio contra a assessora Fernanda Chaves, única sobrevivente do atentado. Já Robson Calixto Fonseca responde, ao lado dos irmãos Brazão, pelo crime de organização criminosa.

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