HOME > Brasil

"Eleição não está decidida e Lula segue no jogo", avalia Noblat

“O sonho da elite era que Lula desistisse do quarto mandato. Mas ele teima”, afirma o jornalista

23.01.2026 - Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, durante a sessão de encerramento do 14.º Encontro Nacional do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST). Parque de Exposições Agropecuárias. Salvador (BA) - Brasil (Foto: Foto: Ricardo Stuckert / PR)

247 - O jornalista Ricardo Noblat analisou a conjuntura política, após o resultado das votações no parlamento que ampliaram a crise com o Executivo. Em ertigo públicado no Metrópoles, o colunista afirma que o presidente Lula permanece competitivo e determinado a disputar a reeleição, apesar das pressões contrárias.

“Quem morre de véspera é peru. Candidato, não”, afirma Noblat, que enfatiza que “na política, o jogo só acaba quando o último voto é digitado na urna”, chamando atenção para os riscos de antecipar resultados com base em pesquisas eleitorais.

Segundo o jornalista, levantamentos de intenção de voto devem ser lidos com cautela. “Pesquisa não é destino; é retrato de momento”, escreve. Ele explica que pesquisas espontâneas medem convicção do eleitorado, enquanto as induzidas captam rejeição e grau de conhecimento dos candidatos — mas nenhuma delas é capaz de prever acontecimentos inesperados que podem alterar o rumo da disputa.

Noblat lembra as eleições anteriores e destaca como fatores imprevistos influenciaram resultados. Em 1989, a imprensa apoiou Fernando Collor para conter candidaturas como as de Leonel Brizola e do próprio Lula. Já nas eleições de 1994 e 1998, o desempenho de Fernando Henrique Cardoso foi impulsionado pelo impacto econômico do Plano Real.

O colunista também lembra que Lula venceu em 2002 e 2006, enquanto Dilma Rousseff foi eleita em 2010 e 2014, mesmo enfrentando resistência da mídia. Em 2018, fatores como o atentado contra Jair Bolsonaro e o antipetismo tiveram peso decisivo, evidenciando o papel do imponderável. Já em 2022, Lula venceu por margem apertada, reforçando a incerteza do processo eleitoral.


Cenário aberto e busca por alternativas

Noblat observa que, embora haja movimentações em torno de uma “terceira via”, o projeto ainda enfrenta dificuldades para se consolidar. A ideia de um candidato fora da polarização ainda não encontrou um nome capaz de se viabilizar com força suficiente.

Apesar das pressões e da busca por alternativas, o colunista reforça que Lula continua no centro da disputa.

“O sonho da elite era que Lula desistisse do quarto mandato. Mas ele teima”, afirma Noblat. “E quem teima, na política, costuma dar trabalho até o último minuto da prorrogação”, escreve o jornalista, reforçando que a eleição segue em aberto e longe de uma definição antecipada.

Artigos Relacionados