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Edinho Silva defende ‘humildade’ para se aproximar de evangélicos e trabalhadores por app

Dirigente afirma que partido precisa ouvir periferias e grupos resistentes para fortalecer base e buscar reeleição de Lula

Edinho Silva (Foto: pt.org.br)

247 - O Partido dos Trabalhadores (PT) avalia que precisa adotar uma postura mais aberta ao diálogo com setores que têm demonstrado resistência à legenda, como evangélicos e motoristas de aplicativos, em um esforço para fortalecer sua base social e política. A defesa foi feita pelo presidente da sigla, Edinho Silva, durante o 8º Congresso Nacional do partido, em Brasília.

O discurso de encerramento do dirigente ocorreu em meio à aprovação de um manifesto partidário voltado à construção de uma “concertação social” com vistas à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Durante sua fala, Edinho ressaltou a necessidade de autocrítica dentro do partido. “Não podemos ser reativos quando juventude evangélica diz que não quer conversar conosco, temos que ter humildade e perguntar porque a juventude evangélica não quer conversar conosco. O PT não pode ficar irritado com as periferias quando perdemos votos. Quando a nova classe trabalhadora, os motoristas de aplicativo, se revoltam conosco, evidente que gera indignação, mas temos que ter humildade e perguntar onde estamos errando, se queremos representá-los”, afirmou.

Aproximação com setores distantes

O dirigente destacou que a legenda precisa ampliar o diálogo com segmentos que hoje não se identificam com o partido. Segundo ele, ouvir a sociedade é fundamental para reverter a perda de apoio em áreas periféricas e entre trabalhadores de novas formas de ocupação.

Edinho também defendeu a retomada da presença de base e da organização popular. Para ele, há um descompasso entre os resultados do governo federal e a percepção da população. “É inegável que a conjuntura está difícil. Mas como a conjuntura está difícil se temos governo mais exitoso da história, com maior volume de obras. Como que esse governo tão exitoso não é reconhecido pelo povo brasileiro? Talvez as respostas sejam diversas, mas a ação é uma só e é conversarmos com o povo brasileiro, não há outra saída”, declarou.

Críticas ao cenário político e ao modelo de emendas

O presidente do PT também abordou o ambiente político nacional, marcado, segundo ele, por um sentimento antissistema. Ao comentar episódios recentes, como o caso envolvendo o banco Master, ele criticou a postura que classificou como “recuada” do partido diante desse cenário.

“Como pode a gente estar vivendo ambiente de antissistema e o PT ficar recuado politicamente? O PT ficar acuado e não ir para a sociedade dizer que se tem antissistema a resposta do antissistema está na esquerda, não está na direita e não está fascismo. A resposta ao antissistema está conosco e o manifesto diz isso”, disse.

Além disso, Edinho defendeu que o debate político seja centrado em projetos, e não em figuras individuais ou influenciadores digitais. “Queremos que a sociedade vote em projeto, não em individuo e não em influencer, que vive de lacração e que se você for debater não tem proposta para educação e para saúde”, afirmou.

O dirigente também criticou o modelo de emendas parlamentares impositivas, argumentando que ele compromete a autonomia do Executivo. “Não queremos esse modelo político que está aí, não podemos ser a favor da emendas impositivas que usurpam o direito do presidencialismo”, concluiu.

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