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"Se dependesse do sistema, nem a escravidão teria sido abolida", afirma Lula

Presidente associa direitos trabalhistas ao fortalecimento do país

Presidente Lula durante assinatura do decreto de promulgação do Acordo de Comércio entre União Europeia e Mercosul. (Foto: Ricardo Stuckert / PR)

247 - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta quinta-feira (30), durante pronunciamento pelo Dia do Trabalhador e da Trabalhadora, que o atual modelo econômico impõe obstáculos históricos a avanços sociais e voltou a defender mudanças na jornada de trabalho no Brasil.

No discurso, o presidente associou a resistência a direitos trabalhistas à lógica de funcionamento do sistema. "Se dependesse do sistema, nem a escravidão teria sido abolida no Brasil", declarou, ao comentar a dificuldade de implementação de conquistas sociais ao longo da história.


Crítica à jornada de trabalho

Lula voltou a defender o fim da escala 6x1, modelo em que o trabalhador atua seis dias consecutivos e descansa apenas um. Segundo ele, esse formato não condiz com o estágio atual de desenvolvimento tecnológico. "Não faz sentido que, em pleno século 21, com toda a evolução tecnológica, milhões de brasileiros e brasileiras tenham que trabalhar seis dias por semana para descansar apenas um dia", afirmou.

O presidente também destacou que os impactos dessa jornada são mais severos para as mulheres, afirmando que a realidade enfrentada por elas "é muito mais difícil".

Ao abordar o tema, Lula ressaltou que conquistas trabalhistas historicamente enfrentaram oposição de setores mais ricos da sociedade. "A turma do andar de cima disse que cada uma dessas conquistas ia quebrar o Brasil. E o Brasil nunca quebrou por dar direito aos trabalhadores. Sempre ficou mais forte", declarou.

Proposta em análise no Congresso

A proposta enviada ao Congresso Nacional em 14 de abril prevê a redução da jornada semanal de 44 para 40 horas, sem diminuição salarial, além do fim da escala 6 por 1. O texto já teve a admissibilidade aprovada pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara dos Deputados e segue agora para uma comissão especial.

Novo Desenrola Brasil

Durante o pronunciamento, o presidente também anunciou o lançamento do "Novo Desenrola Brasil", um conjunto de medidas voltadas à renegociação de dívidas das famílias brasileiras.

O programa prevê a inclusão de débitos como cartão de crédito, cheque especial, crédito direto ao consumidor (CDC) e financiamentos estudantis do FIES. Entre as condições apresentadas estão juros limitados a 1,99% ao mês e descontos que podem chegar a 90% do valor devido.

Também foi anunciada a possibilidade de saque de até 20% do saldo do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS) para ajudar na quitação das dívidas.

Outro ponto destacado pelo presidente foi o bloqueio, por um período de um ano, de beneficiários do programa em plataformas de apostas on-line. "Não foi nosso governo que deixou as bets entrarem no Brasil, mas é o nosso governo que vai colocar um limite à destruição que elas vêm causando", afirmou.

Medidas combinam trabalho e crédito

As iniciativas apresentadas pelo governo articulam mudanças na legislação trabalhista e políticas de crédito, com o objetivo de reduzir o endividamento e ampliar direitos no mercado de trabalho. O discurso reforça a estratégia de associar desenvolvimento econômico à ampliação de garantias sociais no país.

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