Em ato no Itamaraty, Lara Souza denuncia violações contra Thiago Ávila em Israel
Ativista brasileiro foi preso em missão humanitária rumo a Gaza; esposa cobra ação do governo Lula
247 - A esposa do ativista brasileiro Thiago Ávila, Lara Souza, denunciou que ele enfrenta graves violações de direitos humanos em Israel, após ter sido preso durante uma missão humanitária rumo à Faixa de Gaza. As informações são do Brasil de Fato.
Em ato realizado na noite da quarta-feira (6), em frente ao Palácio do Itamaraty, em Brasília, Lara afirmou que Thiago Ávila está em cela solitária, submetido a luzes intensas durante 24 horas por dia e em privação de sono. Segundo ela, o ativista também está em greve de fome há sete dias.
“Ele está passando por situações de extrema violação dos direitos humanos, em uma cela solitária com luzes intensas 24 horas por dia, numa prisão que, segundo a advogada, usa isso como tática para causar desorientação e privação de sono. Ele está há sete dias em greve de fome, e isso é uma coisa que precisa ser considerada pelo governo brasileiro e pela comunidade internacional para exigir a imediata libertação do Thiago”, relatou Lara Souza.
Thiago Ávila foi capturado no dia 30 de abril durante uma ação em águas internacionais, quando participava de uma missão humanitária com destino à Faixa de Gaza. A embarcação coordenada por ele foi interceptada por forças israelenses, episódio classificado pelos organizadores da missão como uma violação do direito internacional.
“O Thiago e o Saif foram sequestrados há 7 dias em águas internacionais próximas da Grécia, a mais de 1.000 km de distância do território israelense, para onde eles não estavam indo. E isso é uma clara violação do Direito Internacional, e todos nós aqui já sabemos disso”, afirmou Lara.
Reunião no Itamaraty cobrou medidas do governo brasileiro
Paralelamente à manifestação, Lara Souza, que também integra a coordenação da flotilha Global Sumud, participou de uma reunião no Ministério das Relações Exteriores. O encontro contou com a presença de parlamentares, entre eles o distrital Fábio Felix (Psol-DF) e as deputadas federais Erika Kokay (PT-DF), Fernanda Melchionna (Psol-RS), Sâmia Bomfim (Psol-SP) e Luizianne Lins (Rede-CE).
Segundo Fábio Felix, a comitiva foi recebida pela ministra interina das Relações Exteriores, Maria Laura da Rocha, para cobrar informações e ações do governo brasileiro diante da prisão do ativista.
“Viemos cobrar informações e medidas do governo brasileiro em relação à prisão arbitrária, ao sequestro de Thiago Ávila”, disse Felix.
A deputada Fernanda Melchionna afirmou que os parlamentares defenderam uma postura mais firme do governo brasileiro diante da gravidade do caso.
“Tivemos uma posição importante do presidente Lula, uma nota importante [do Ministério], mas ainda insuficiente frente ao sequestro do cidadão brasileiro”, declarou.
Erika Kokay também cobrou o uso de todos os instrumentos disponíveis para garantir a libertação de Thiago Ávila.
“Nós temos um brasileiro que foi sequestrado e que estava no exercício de uma missão humanitária para o povo palestino, que tem sofrido as ações absolutamente genocidas do Estado de Israel. Está sequestrado e nós viemos aqui para que o governo brasileiro possa utilizar todos os instrumentos necessários para que o Thiago seja colocado em liberdade”, afirmou a deputada.
Itamaraty diz prestar assistência consular a Thiago Ávila
Em resposta ao Brasil de Fato DF, o Ministério das Relações Exteriores informou que, durante a reunião, Maria Laura da Rocha reiterou as medidas de assistência consular adotadas pelo governo brasileiro e as gestões realizadas em favor da libertação do ativista.
O Itamaraty afirmou ainda que a Embaixada do Brasil em Tel Aviv presta assistência a Thiago Ávila desde o início da prisão, com visitas consulares e acompanhamento das audiências judiciais relacionadas ao caso.
“O Ministério das Relações Exteriores do Brasil segue trabalhando em vista da liberação do brasileiro e da completa apuração das circunstâncias de sua detenção”, diz trecho da nota.
Manifestantes criticam Israel e cobram posição mais dura
Do lado de fora do Palácio do Itamaraty, manifestantes criticaram a atuação militar de Israel na Faixa de Gaza e pediram uma resposta mais dura do governo brasileiro. O ato reuniu ativistas, estudantes, integrantes de movimentos populares e parlamentares.
Entre os presentes estava Leandro Lanfredi, diretor da Federação Nacional dos Petroleiros (FNP), que também foi detido por Israel na mesma ação que capturou Thiago Ávila. Ele retornou ao Brasil na segunda-feira (4) e relatou as condições enfrentadas durante a detenção.
“Esse Estado nos submeteu a uma pequena parcela da violência que está cometendo contra o Thiago, contra o Saif e que comete há décadas contra o povo palestino. Passamos frio, não tínhamos acesso a comida, remédio”, afirmou Lanfredi.
O sindicalista disse ainda que a violência não interrompeu a mobilização da flotilha.
“Eles tentaram com essa violência quebrar o movimento. Mas o movimento da flotilha segue, porque a gente se inspira, a gente não tem medo deles e a nossa inspiração são oito décadas de resistência do povo palestino”, declarou.
Lanfredi também defendeu que o governo brasileiro rompa relações com Israel.
“O governo brasileiro chama o que Israel faz pelo nome correto de ‘genocídio’, mas o Brasil continua mantendo relações, continua sendo um dos principais parceiros comerciais desse Estado, continua tendo treinamento militar, importando software e hardware para fazer repressão”, afirmou.
Flotilha Global Sumud volta a navegar
Durante a manifestação, Lara Souza informou que os barcos da flotilha Global Sumud voltariam a navegar nesta quinta-feira (7). Segundo ela, a missão humanitária será mantida apesar da tentativa de criminalização do movimento.
“Porque nós não vamos interromper a nossa mobilização justa e importante numa ação humanitária diante dessa tentativa deles de criminalizar”, disse Lara.
A coordenadora da flotilha também afirmou que a continuidade das mobilizações nas ruas, nas redes e no campo diplomático será decisiva para pressionar pela libertação de Thiago Ávila e de Saif.
“Nós já sabemos que o Estado genocida de Israel é um Estado que não tem limites. Nós já sabemos que eles não respeitam nenhum tipo de legislação. Nós já sabemos que eles não respeitam nenhum tipo de lei do direito internacional, mas nós não podemos deixar de nos mobilizar”, declarou.
Lara Souza encerrou sua fala defendendo a permanência da pressão política e internacional até que os detidos retornem para casa.
“Nós precisamos que as mobilizações nas ruas, nas redes, que a pressão do governo, que a pressão política da comunidade internacional continuem. Nós vamos lutar até trazer o Thiago de volta para casa, levar o Saif de volta para a família dele, para a esposa e para os três filhos que estão esperando ele em casa. Nós vamos lutar até a Palestina livre”, afirmou.


