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Carta de Thiago Ávila à filha emociona em meio à prisão por Israel

Ativista brasileiro escreve a Teresa sobre Palestina, infância e o impacto da ofensiva israelense contra crianças em Gaza

Thiago Ávila (Foto: Reprodução Youtube)

247 - Em mensagem à filha Teresa, o ativista brasileiro Thiago Ávila relaciona sua ausência de casa à mobilização internacional em defesa da Palestina e denuncia a situação das crianças na Faixa de Gaza; as informações são do texto original enviado à redação.

Preso na penitenciária de Shikma, na Palestina ocupada, segundo a publicação original, Thiago escreveu a carta durante uma greve de fome, em meio a relatos de ameaças de morte e de detenção por tempo indeterminado. No texto, ele pede desculpas à filha por estar longe e afirma que sua atuação política está ligada ao compromisso de enfrentar a violência que atinge a população palestina, especialmente crianças submetidas à fome, mutilações e ao medo constante.

Ao se dirigir à pequena Teresa, Thiago transforma uma mensagem pessoal em apelo público. O ativista afirma que pais e mães palestinos também desejam ver seus filhos vivendo com amor, segurança e alegria, e sustenta que a defesa da infância em Gaza é parte da construção de um mundo mais seguro para todas as crianças.

“Querida Teresa,

Sinto muito por não estar em casa com você agora. Infelizmente, seu pai, sua mãe e tantas pessoas ao redor do mundo entenderam a tarefa histórica que temos a responsabilidade de cumprir.”

Em um dos trechos mais fortes, Thiago menciona diretamente o sofrimento das crianças palestinas e afirma que mais de um milhão delas enfrentam as consequências da guerra e da privação de condições básicas de sobrevivência. A carta também critica ideias políticas e estruturas de poder que, segundo ele, sustentam a violência contra a população de Gaza.

“Hoje, mais de um milhão de crianças estão sofrendo um genocídio, sendo mortas de fome, sendo amputadas sem anestesia e sofrendo por ideias horríveis e odiosas, apesar de não saberem o que são o sionismo e o imperialismo.”

A mensagem combina o tom íntimo de um pai distante da filha com uma denúncia internacional. Ao falar com Teresa, Thiago estende a reflexão a mães e pais palestinos que, segundo ele, também desejam apenas uma vida marcada por amor, felicidade e segurança para seus filhos.

“Tenho certeza de que você sente muita saudade de mim também, e todas as mães e pais das crianças palestinas também sentem muita saudade delas e dariam qualquer coisa para viver uma vida de amor, felicidade e alegria que todo ser humano merece, independentemente de raça, religião, etnia ou qualquer outra característica. Seu mundo será mais seguro porque muitos pais decidiram dar tudo para construir este mundo melhor para você.”

No texto, o ativista afirma que seu amor pela filha é justamente o que o levou a assumir riscos. Para ele, aceitar a normalização da violência contra crianças em qualquer parte do mundo representaria uma ameaça ao futuro de Teresa e de todas as crianças.

“Espero que um dia você entenda que, por eu te amar tanto, não havia nada mais perigoso para você e para outras crianças do que viver em um mundo que aceita o genocídio.”

Thiago também pede que a filha se lembre dele por gestos cotidianos de afeto, como cantar e tocar violão para fazê-la dormir. Em seguida, diz esperar que, no futuro, Teresa compreenda sua atuação política e sua defesa de um mundo melhor, mesmo diante de lideranças que ele cita nominalmente na carta.

“Por favor, lembre-se do seu pai como a pessoa que cantava para você e tocava violão para você dormir. E, quando você crescer, sua mãe também lhe contará que seu pai era um revolucionário e que, mesmo enfrentando as pessoas mais horríveis vivas — Donald Trump, Benjamin Netanyahu e Itamar Ben-Gvir —, ele permaneceu firme na crença de construir um mundo melhor.”

A carta termina com um apelo direto à memória e à solidariedade internacional: “Por favor, não se esqueça da Palestina!”. Para os apoiadores do ativista, a mensagem reforça a mobilização pela libertação imediata de Thiago Ávila e Saif Abukeshek, apresentados no texto original como integrantes do Comitê Diretor da Global Sumud Flotilha detidos por Israel.

No contexto descrito pela publicação, a detenção de Thiago ocorre após a interceptação de integrantes da flotilha em águas internacionais, episódio classificado pelos apoiadores como ilegal. A defesa dos ativistas também relata ameaças e a possibilidade de prolongamento da prisão, o que ampliou a pressão de movimentos pró-Palestina pela libertação dos brasileiros e demais integrantes da missão.

Ao transformar a saudade da filha em uma mensagem pública, Thiago Ávila busca associar a defesa da infância palestina à responsabilidade coletiva diante da guerra. Sua carta, marcada por afeto familiar e denúncia política, tornou-se mais um elemento da campanha internacional por sua libertação e pela proteção das crianças em Gaza.

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