ONG acusa Israel de maus-tratos a Thiago Ávila e outro ativista de flotilha humanitária
ONG Adalah afirma que brasileiro e espanhol-palestino foram submetidos a maus-tratos interrogatórios longos; Israel nega
A ONG israelense Adalah afirmou nesta segunda-feira (4) que o ativista brasileiro Thiago Ávila e o espanhol-palestino Saif Abu Keshek sofreram maus-tratos após serem presos por forças israelenses durante a interceptação de uma flotilha que tentava chegar à Faixa de Gaza.
Segundo a Folha de São Paulo, a ONG afirma os dois foram submetidos a interrogatórios prolongados, mantidos em celas com iluminação constante e obrigados a circular vendados, inclusive em deslocamentos para atendimento médico.
A ONG Adalah, que atua na defesa de direitos humanos e presta assistência jurídica à minoria árabe em Israel, visitou os ativistas em uma prisão israelense e afirmou que eles relataram “interrogatórios de até oito horas”.
Israel nega acusações de tortura
O governo israelense rejeitou as acusações feitas pela organização e pela própria coordenação da flotilha, que também havia denunciado supostos atos de tortura contra os dois ativistas.
“Ao contrário das acusações falsas e infundadas, preparadas com antecedência, em nenhum momento Saif Abu Keshek e Tiago Ávila foram submetidos a torturas”, afirmou à AFP o porta-voz da chancelaria israelense, Oren Marmorstein.
O representante do governo israelense acusou os detidos de terem oferecido “resistência física e violenta” às forças de segurança. “Todas as medidas tomadas se atêm à lei”, declarou.
Detenção foi prorrogada por dois dias
A Justiça israelense autorizou no domingo (3) a prorrogação por mais dois dias da detenção de Thiago Ávila e Saif Abu Keshek. De acordo com a Adalah, os dois estão em greve de fome há seis dias, mas continuam ingerindo água. “Estamos esperando para saber se o Estado pedirá para prorrogar esta detenção”, afirmou a organização.
A permanência dos dois em Israel se tornou foco de tensão diplomática, especialmente porque outros 175 ativistas de diferentes nacionalidades, também detidos durante a ação israelense, foram libertados na Grécia após um acordo entre Atenas e Tel Aviv.
Flotilha tentava romper bloqueio a Gaza
A flotilha era composta por dezenas de embarcações que partiram da França, da Espanha e da Itália com o objetivo declarado de romper o bloqueio israelense à Faixa de Gaza e levar suprimentos ao território palestino.
As embarcações foram interceptadas por forças israelenses em águas internacionais, ao largo da costa da Grécia, na madrugada de quinta-feira (30). Thiago Ávila e Saif Abu Keshek estavam entre os detidos, mas, diferentemente dos demais ativistas libertados, foram levados para Israel.
Tel Aviv acusa os dois de terem vínculos com o Hamas, que ainda governa partes da Faixa de Gaza. O governo espanhol, porém, nega que Saif Abu Keshek tenha relação com o grupo.
Brasil e Espanha condenam ação israelense
Antes da prorrogação da prisão, o Itamaraty divulgou uma nota conjunta com o governo espanhol em que condenou o que classificou como “sequestro de dois de seus cidadãos em águas internacionais por parte do governo de Israel”. Os dois países exigiram o retorno imediato de Ávila e Abu Keshek, com garantias de segurança.
“Esta ação flagrantemente ilegal das autoridades de Israel, fora de sua jurisdição, é uma afronta ao direito internacional, acionável em cortes internacionais, e configura delito em nossas respectivas jurisdições”, afirma a nota.
Investigação foi aberta na Itália
O caso também passou a ser alvo de investigação na Itália. Segundo a imprensa italiana, a Procuradoria de Roma abriu uma apuração por sequestro dos ativistas após a apresentação de três denúncias relacionadas à interceptação da flotilha pelas forças israelenses.
Ávila e Abu Keshek estavam em uma embarcação de bandeira italiana no momento da prisão em águas internacionais. A Procuradoria de Roma já havia aberto investigação semelhante em outubro, após uma tentativa anterior da mesma organização de enviar outra flotilha à Faixa de Gaza.


