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Exército israelense tortura Thiago Ávila após interceptação da flotilha

Ativista afirma ter sido espancado e mantido sob isolamento após ação em águas internacionais; caso foi relatado por advogados ao jornal The Guardian

Thiago Ávila (Foto: Reprodução X)

247 - O ativista Thiago Ávila denunciou ter sido vítima de “extrema brutalidade” após ser interceptado por forças israelenses durante uma missão da Flotilha Global Sumud, que seguia em direção a Gaza com ajuda humanitária. 

De acordo com informações do jornal britânico The Guardian e confirmadas por advogados ligados à organização de direitos humanos Adalah, Ávila compareceu neste domingo (3) a um tribunal na cidade de Ashkelon, onde foi interrogado e teve sua detenção prorrogada em dois dias.

De acordo com Miriam Azem, coordenadora de defesa internacional da Adalah, o ativista afirmou que foi “arrastado de bruços pelo chão e espancado tão violentamente que desmaiou duas vezes” durante a abordagem.

Ávila integrava a chamada Flotilha para Gaza, composta por mais de 50 embarcações que partiram de países como França, Espanha e Itália com o objetivo de romper o bloqueio israelense e entregar ajuda humanitária ao território palestino. A operação foi interceptada por forças de Israel em águas internacionais próximas à Grécia na última quinta-feira.

Além do brasileiro, o ativista espanhol Saif Abu Keshek também foi detido. Segundo a Adalah, ele relatou ter sido “mantido em isolamento e com os olhos vendados” desde a captura. A organização acrescentou que Abu Keshek foi “amarrado e forçado a ficar deitado de bruços no chão” desde o momento da apreensão.

De acordo com o governo israelense, 175 ativistas foram detidos durante a operação, mas apenas dois, Ávila e Abu Keshek, foram levados ao país para interrogatório. A defesa informou que o Estado solicitou a prorrogação da detenção por mais quatro dias.


Resposta internacional

O Ministério das Relações Exteriores de Israel afirmou que os dois ativistas teriam ligação com a Conferência Popular para os Palestinos no Exterior (PCPA), entidade que, segundo o governo israelense, é alvo de sanções do Departamento do Tesouro dos Estados Unidos por supostamente atuar de forma clandestina em nome do Hamas. Israel alega que Abu Keshek seria um membro relevante da organização e que Ávila também possui vínculos com o grupo, sendo “suspeito de atividades ilegais”.

O governo da Espanha condenou a detenção do cidadão espanhol e rejeitou as acusações feitas por Israel.

Os organizadores da flotilha afirmaram que a interceptação ocorreu a mais de mil quilômetros da costa de Gaza, classificando a ação como uma “armadilha mortal calculada no mar”. Segundo eles, equipamentos das embarcações foram destruídos durante a abordagem, agravando a situação dos tripulantes.

Advogados da Adalah informaram que conseguiram se reunir com os dois ativistas no sábado (2), na prisão de Shikma, também localizada em Ashkelon. A organização segue acompanhando o caso e denunciando possíveis violações de direitos humanos durante a operação.

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