Em discurso no STF sobre o 8/1, Fachin alerta para crise da democracia e exalta resiliência do Brasil
Presidente do STF discursou no aniversário de três anos dos ataques de 8 de janeiro e fez defesa pública da atuação de Alexandre de Moraes
247 - Em cerimônia realizada na sede do Supremo Tribunal Federal (STF), em Brasília, o ministro Edson Fachin afirmou que o Estado democrático de Direito enfrenta uma crise no cenário internacional, ao mesmo tempo em que destacou a capacidade de resistência das instituições brasileiras após os ataques golpistas de 8 de janeiro de 2023. A manifestação ocorreu nesta quinta-feira (8), durante evento que marcou os três anos da invasão e depredação da Praça dos Três Poderes.
Ao abordar o significado da data, Fachin ressaltou que a preservação da democracia exige atenção permanente da sociedade e das instituições. “Nada obstante, a memória é um alerta e uma advertência, porquanto o preço da democracia e da liberdade é mesmo uma eterna vigilância”, afirmou o presidente do STF durante o discurso.
A solenidade foi realizada no edifício do Supremo, considerado o mais atingido pelos atos de vandalismo de janeiro de 2023. Fachin participou do evento ao lado de representantes de outros tribunais superiores, do ministro da Justiça, Ricardo Lewandowski, do advogado-geral da União, Jorge Messias, e do presidente da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Beto Simonetti. Lewandowski é ministro aposentado do STF e deixou recentemente o comando da pasta da Justiça, enquanto Messias foi indicado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva para uma vaga na Corte.
Em sua fala, Fachin também fez um desagravo público ao ministro Alexandre de Moraes, relator dos inquéritos e das ações penais relacionadas aos ataques golpistas e alvo frequente de críticas de apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro. “Permitam-me agora enaltecer o trabalho do ministro Alexandre de Moraes na condução dos inquéritos e das ações penais que surgiram desse dia infame — e frisar, precisamente, o caráter exato de sua atuação”, declarou.
Na sequência, o presidente do STF reforçou a defesa da postura adotada por Moraes no exercício de suas funções. “Há quem confunda e tome a firmeza por jactância. E o ministro Alexandre de Moraes colocou-se firme por dever do ofício, com sacrifícios pessoais e familiares que não me cabe inventariar, e esteve onde precisava estar. Não por bravata, mas porque era o seu ofício — aquele mesmo que juramos exercer, com a vida se preciso for, na impermanência de nossos cargos”, afirmou Fachin.
Durante a cerimônia, o Supremo lançou um documentário dedicado aos trabalhadores responsáveis pela retirada dos escombros e pela reconstrução do prédio após os ataques de 8 de janeiro, destacando o esforço coletivo para a recuperação da sede do tribunal.
Pela manhã, Fachin não compareceu ao evento realizado no Palácio do Planalto para marcar a data, organizado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A ausência também foi registrada entre os presidentes da Câmara dos Deputados, Hugo Motta, e do Senado, Davi Alcolumbre. Não houve justificativa oficial, mas interlocutores indicaram que a decisão de Fachin foi motivada por cautela, diante da falta de informações prévias sobre o formato da solenidade.



