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Em meio às ameaças dos EUA ao continente, Celso Amorim propõe elevar investimentos em defesa a 2% do PIB

Diplomata defende que o Brasil aprofunde os programas de uso pacífico da energia nuclear e, ao mesmo tempo, desenvolva sistemas avançados de defesa

O assessor-chefe da Assessoria Especial do Presidente da República para Assuntos Internacionais, Celso Amorim (Foto: Roque de Sá/Ag. Senado)

247 - O principal assessor internacional do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), Celso Amorim, defendeu, em um artigo publicado nesta terça-feira (27) na Carta Capital, o aumento dos gastos em defesa para 2% do Produto Interno Bruto (PIB). "Os recentes ataques em solo sul-americano e o crescente uso da força em detrimento do direito internacional reacenderam, com razão, o debate sobre opções estratégicas do Brasil", ressalta o ex-chanceler no texto.

No artigo, Amorim argumenta que o contexto global contemporâneo é substancialmente diferente daquele existente no final da década de 1980, quando o Brasil decidiu inscrever na Constituição a renúncia ao desenvolvimento de armamentos nucleares. Segundo ele, a conjuntura atual, marcada por tensões internacionais e pelo ataque dos Estados Unidos ao solo sul-americano, exige uma reavaliação da política de defesa nacional.

Apesar disso, o assessor especial da Presidência reafirma a importância da decisão tomada pela Assembleia Constituinte. Ele atribui à renúncia nuclear um papel central na superação da rivalidade histórica entre Brasil e Argentina, na consolidação da aproximação bilateral entre os dois países e na criação do Mercosul. Amorim também destaca que essa escolha permitiu ao Brasil direcionar esforços, especialmente durante o governo Lula, para o enfrentamento da fome e de outras questões sociais.

Ao abordar as alternativas para responder à atual crise geopolítica, Amorim descarta a busca por armamentos nucleares. Para ele, essa opção tornaria o país mais vulnerável a ameaças externas, inclusive a eventuais "agressões preventivas". "O Brasil deve continuar e aprofundar os programas que já vem desenvolvendo ou projetos novos de uso pacífico da energia nuclear (com o enriquecimento de urânio no nível que se fizer necessário) e, ao mesmo tempo, desenvolver sistemas de defesa avançados nas diversas áreas: defesa antiaérea, cibernética, drones, além, é óbvio, do submarino nuclear", destaca o ex-chanceler.

Nesse contexto, Amorim sustenta que o aumento do orçamento da área é uma condição necessária para viabilizar essa estratégia. "Para isso, será necessário aumentar a participação da Defesa no orçamento do país, chegando talvez a 2% do PIB, com a garantia de que os recursos adicionais seriam utilizados apenas para investimentos e manutenção e manejo dos sistemas", afirma o diplomata no texto.

"Em um mundo sem regras e sujeito a ações militares de todo tipo, nossa opção existencial pela paz deve necessariamente se fazer acompanhar de uma defesa sólida, suscetível de causar dano ao eventual agressor, seja ele quem for", finaliza.

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