Forças Armadas propõem a Lula plano de R$ 800 bilhões para defesa nacional
Proposta prevê investimentos até 2040 e alerta para riscos à soberania nacional
247 - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) se reuniu no último dia 15 com os comandantes das Forças Armadas para discutir o cenário internacional e os desafios estruturais da defesa nacional no longo prazo. A reunião teve como pano de fundo a crise na Venezuela e os impactos geopolíticos recentes, que reacenderam alertas sobre a capacidade do Brasil de proteger seu território e seus interesses estratégicos.
De acordo com a coluna da jornalista Marcela Mattos, do SBT News, os chefes militares avaliaram que a ação militar que resultou no sequestro do presidente venezuelano Nicolás Maduro, ordenada pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, representa um sinal de alerta sobre os riscos à soberania nacional e reforça a necessidade de um sistema de defesa robusto e preventivo.
Reunião abordou cenário internacional e crise na Venezuela
Participaram da conversa os comandantes do Exército, Tomás Paiva, da Marinha, Marcos Olsen, e da Aeronáutica, Marcelo Damasceno, além do ministro da Defesa, José Múcio Monteiro. A pedido do próprio presidente, os militares detalharam quais projetos estratégicos consideram essenciais para garantir a segurança do país nas próximas décadas.
Proposta militar aponta sucateamento e hiato tecnológico
De acordo com a reportagem, cada comandante apresentou uma lista de prioridades que inclui desde problemas imediatos, como o sucateamento de equipamentos e a falta de combustível, até projetos de maior envergadura voltados à modernização da defesa nacional. Nos bastidores, os militares avaliam que o Brasil enfrenta um hiato tecnológico significativo em relação a países mais equipados.
Investimento previsto supera todos os patamares históricos
Os cálculos preliminares indicam a necessidade de cerca de R$ 800 bilhões em investimentos entre 2025 e 2040 para que o país alcance um padrão considerado ideal de defesa. O montante está muito acima de qualquer nível histórico já destinado ao setor, o que evidencia a dimensão do desafio fiscal e político envolvido.
No fim do ano passado, o Congresso Nacional aprovou uma medida que permitiu um gasto adicional de R$ 30 bilhões em defesa ao longo de seis anos, por meio de uma exceção às regras fiscais. Ainda assim, representantes das Forças Armadas consideram o valor insuficiente e defendem alternativas extraorçamentárias para acelerar a modernização.
Drones e defesa antiaérea estão entre as principais preocupações
Entre os pontos de maior preocupação está o avanço das tecnologias de drones, que já operam com armamentos acoplados e sistemas de inteligência artificial. Os comandantes também ressaltaram a importância do fortalecimento da proteção antiaérea, considerada decisiva em conflitos recentes, como o da Ucrânia contra a Rússia.
Lula ouviu os argumentos apresentados e acolheu as preocupações expostas, mas evitou assumir compromissos públicos sobre valores ou prazos. A expectativa entre os militares é de que novas reuniões sejam realizadas para aprofundar o debate e discutir caminhos para ampliar os investimentos e redefinir a estratégia de defesa nacional no médio e no longo prazo.


