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Após ataque dos EUA à Venezuela, Lula tem reunião sobre defesa nacional com Múcio e comandantes militares

Encontro avalia defesa nacional e segurança de fronteiras

Após ataque dos EUA à Venezuela, Lula tem reunião sobre defesa nacional com Múcio e comandantes militares (Foto: Ricardo Stuckert/PR)

247 - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva se reúne na tarde desta quinta-feira (15) com o ministro da Defesa, José Múcio, e os três comandantes das Forças Armadas para discutir a situação da defesa nacional após a ação militar dos Estados Unidos na Venezuela. O encontro ocorre no Palácio do Planalto e foi convocado diante do aumento das preocupações com a segurança nas fronteiras brasileiras.

A conversa, marcada para 16h30, tem caráter preliminar. A expectativa é que Lula solicite ao ministro da Defesa e às Forças Armadas a elaboração de um relatório detalhado, além de propostas para reforçar a segurança nas áreas de fronteira do país.

O episódio envolvendo a Venezuela elevou o grau de alerta no governo brasileiro, especialmente pela fronteira terrestre com o país vizinho, localizada em Roraima, por onde entram refugiados venezuelanos. A região também ganha relevância estratégica por estar próxima à Foz do Rio Amazonas, área em que a Petrobras recebeu autorização para realizar pesquisas de petróleo na chamada Margem Equatorial.

A preocupação não se restringe ao governo. Pesquisa divulgada pela Quaest indica que 58% dos brasileiros afirmam ter medo de que uma ação semelhante à conduzida pelos Estados Unidos na Venezuela possa ocorrer no Brasil. Outros 40% disseram não compartilhar desse receio.

O encontro desta quinta-feira (15) foi solicitado pelo próprio presidente ao ministro da Defesa logo após a ofensiva americana. A invasão resultou na captura do presidente Nicolás Maduro por forças dos Estados Unidos, fato que levou Lula a pedir um panorama atualizado da capacidade de defesa nacional. No diagnóstico interno, projetos estratégicos das Forças Armadas enfrentam atrasos ou estão paralisados devido à restrição orçamentária.

Em setembro do ano passado, José Múcio já havia manifestado apreensão com o cenário internacional, marcado por tensões crescentes. Na ocasião, após um almoço com Lula e os comandantes militares no Palácio da Alvorada, o ministro afirmou que o Brasil acompanhava a situação com cautela. “Isso é como briga de vizinho. Eu não quero que mexam no meu muro, não quero que tirem a fiação da frente da casa, que mexam na minha casa. Torcemos para que passe”, declarou em 5 de setembro.

Na terça-feira (3), logo após o ataque americano, o presidente Lula divulgou nota oficial condenando a ação dos Estados Unidos em território venezuelano. “Os bombardeios em território venezuelano e a captura do seu presidente ultrapassam uma linha inaceitável. Esses atos representam uma afronta gravíssima à soberania da Venezuela e mais um precedente extremamente perigoso para toda a comunidade internacional”, afirmou.

Na mesma manifestação, Lula alertou para os riscos de escalada do conflito. “Atacar países, em flagrante violação do direito internacional, é o primeiro passo para um mundo de violência, caos e instabilidade, onde a lei do mais forte prevalece sobre o multilateralismo”, completou o presidente.

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