Embaixador do Irã no Brasil afirma que não há discussão para negociar com os EUA
Abdollah Nekounam ressaltou que a opinião pública iraniana é contrária a qualquer normalidade nas relações com o governo Trump
247 - O embaixador do Irã no Brasil, Abdollah Nekounam, declarou nesta terça-feira (31) que não há, neste momento, qualquer negociação direta entre Teerã e Washington. Em entrevista coletiva, o diplomata confirmou que mensagens foram trocadas entre os dois países via Paquistão, processo que, segundo ele, continuará. A informação foi publicada pelo jornal Folha de São Paulo.
"Diferentemente das ilusões do presidente dos EUA, nenhuma autoridade iraniana conversou com autoridade americana. Algumas mensagens foram enviadas, e nós respondemos", afirmou Nekounam. O diplomata ressaltou que a opinião pública iraniana é contrária a qualquer normalidade nas relações com o governo do presidente Donald Trump, especialmente após o assassinato do líder supremo Ali Khamenei.
Nekounam destacou ainda que o Irã se reserva o direito de reagir sem limites às agressões estadunidenses e israelenses. "Sofremos um ato de agressão e, conforme todo o direito internacional, temos como posição a autodefesa legítima e isso não tem limite para nós. Para cada ponto, cada região em que fomos agredidos e invadidos, nós vamos retaliar da mesma forma", disse.
Estreito de Ormuz
O diplomata iraniano defendeu um novo formato de gestão para o estreito de Ormuz, rota estratégica por onde passa cerca de 20% do petróleo mundial. Segundo ele, o bloqueio atual atinge apenas navios ligados aos EUA e Israel, e a via permanece aberta a nações amigas. Propostas mediadoras, envolvendo a criação de um consórcio e cobrança de taxas semelhantes às do Canal de Suez, foram discutidas recentemente por Egito, Turquia e Arábia Saudita em reunião no Paquistão.
Nekounam também comentou os impactos econômicos da crise sobre o mercado global, mencionando que exportadores iranianos de ureia informaram que alguns navios carregados com o produto já partiram para o Brasil. Ele alertou que, embora parte da ureia global venha do Irã, outros países do golfo Pérsico também são afetados pelos ataques iranianos em resposta à ofensiva militar dos EUA na região, impactando preços e o abastecimento de combustíveis e fertilizantes mundialmente.


