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EUA mantêm pressão militar e diplomática sobre Irã, diz Marco Rubio

Segundo Rubio, objetivos da guerra podem ser alcançadas em semanas

Marco Rubio (Foto: Reuters)

247 - Os Estados Unidos seguem combinando pressão militar e canais diplomáticos indiretos em relação ao Irã, enquanto estabelecem metas de guerra que podem ser cumpridas em poucas semanas, segundo o secretário de Estado Marco Rubio. As declarações indicam uma estratégia de duas frentes, com negociações em curso e intensificação das ações militares.

As informações foram divulgadas pela Al Jazeera, a partir de uma entrevista exclusiva concedida por Rubio ao jornalista Hashem Ahelbarra, na qual o secretário detalhou a abordagem de Washington diante do conflito e as exigências feitas a Teerã.

Rubio afirmou que há comunicação ativa entre os dois países, embora grande parte ocorra por meio de intermediários. “Há mensagens e algumas conversas diretas em andamento entre pessoas dentro do Irã e os Estados Unidos, principalmente por meio de intermediários”, disse. 

A postura do governo americano de buscar uma negociação tem sido acompanhada por declarações mais duras de Trump nas redes sociais, incluindo ameaças de “aniquilar” a infraestrutura energética iraniana caso não haja cessar-fogo. Segundo análise citada pela Al Jazeera, esse cenário sugere uma estratégia que combina diálogo indireto com aumento da pressão militar e econômica.

Entre as principais exigências de Washington está o abandono, por parte do Irã, de seus programas nuclear e de mísseis. Rubio foi enfático: “O regime iraniano jamais poderá ter armas nucleares”. Ele também afirmou que os mísseis iranianos representam uma ameaça direta aos países do Golfo. “Esses mísseis de curto alcance que eles estão lançando têm apenas um propósito: atacar a Arábia Saudita, os Emirados Árabes Unidos, o Catar, o Kuwait e o Bahrein.”

Embora tenha admitido a possibilidade de uso de energia nuclear para fins civis, o secretário ressaltou limites claros: “O que eles não podem ter é um sistema que lhes permita rapidamente transformá-lo em arma. Eles têm que abandonar todos esses programas de armamento e todas as suas ambições nucleares.”

Especialistas iranianos contestam essa narrativa. O professor Hassan Ahmadian, da Universidade de Teerã, questionou a caracterização do Irã como ameaça ofensiva. “Quando foi a última vez que o Irã atacou seus vizinhos em mais de três séculos?” - perguntou. Segundo ele, a estratégia militar iraniana é baseada em dissuasão diante de um conflito assimétrico.

Outro ponto central da entrevista foi o Estreito de Ormuz, rota estratégica para o comércio global de petróleo. Rubio afirmou que os Estados Unidos não aceitarão qualquer tentativa iraniana de controlar a passagem. “O Estreito de Ormuz estará aberto… Estará aberto de um jeito ou de outro”, declarou, alertando para “consequências reais” caso isso não ocorra.

Analistas iranianos, no entanto, avaliam que eventuais restrições no estreito são temporárias e relacionadas ao contexto de guerra. Ahmadian afirmou que não há interesse duradouro do Irã em manter a via fechada após o conflito.

No campo militar, Rubio disse que os objetivos americanos estão avançando rapidamente. “Esses objetivos são a destruição da força aérea deles, que já foi alcançada, a destruição da marinha deles, que em grande parte foi alcançada.” Ele acrescentou: “Estamos bem encaminhados ou à frente do cronograma” e garantiu: “Vamos alcançá-los em semanas, não em meses.”

Questionado sobre a liderança iraniana, Rubio afirmou haver incerteza sobre o papel de Mojtaba Khamenei. “Nem sequer sabemos que ele está no poder. Sei que dizem que ele está no poder. Ninguém o viu. Ninguém ouviu falar dele”, disse. “A situação está muito obscura neste momento. Não está muito claro como as decisões estão sendo tomadas dentro do Irã.”

Apesar de mencionar que uma mudança política no Irã seria bem-vinda, Rubio enfatizou que esse não é um objetivo oficial da operação militar. “Sempre acolheríamos com satisfação um cenário em que o Irã fosse liderado por pessoas com uma visão diferente do futuro”, afirmou. Ele acrescentou: “Achamos que o povo do Irã merece uma liderança melhor do que a que tem recebido do regime clerical? Sem dúvida.”

Por fim, o secretário criticou aliados da OTAN que, segundo ele, restringiram o apoio aos EUA durante o conflito. “Temos países como a Espanha, membro da OTAN que nos comprometemos a defender, que nos negam o uso do seu espaço aéreo e ainda se gabam disso”, afirmou. Ele concluiu que a aliança pode ser revista: “Tudo isso terá que ser reexaminado.”

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