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Trump ameaça destruir totalmente a infraestrutura energética do Irã

Agressividade dos EUA amplia risco humanitário ao condicionar acordo à abertura do Estreito de Ormuz

Trump ameaça destruir totalmente a infraestrutura energética do Irã (Foto: Reprodução)

247 - O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, voltou a elevar o tom contra o Irã ao ameaçar destruir usinas de dessalinização e outras infraestruturas civis do país, como todas as suas usinas de geração de energia elétrica, poços de petróleo e a Ilha de Kharg, ampliando o risco humanitário e pressionando por um acordo que inclui a reabertura do Estreito de Ormuz. A declaração reacende preocupações internacionais sobre possíveis violações do direito humanitário e o impacto direto sobre milhões de civis.

A informação foi divulgada pela rede Al Jazeera, que detalhou as novas declarações de Trump e as reações de especialistas em direito internacional e organizações de direitos humanos diante das ameaças.

Em publicação nas redes sociais, Trump afirmou que Washington está em negociações com um novo governo iraniano, indicando avanços nas conversas. “Os Estados Unidos da América estão em negociações sérias com um NOVO REGIME, MAIS RAZOÁVEL, para encerrar nossas operações militares no Irã”, escreveu. Segundo ele, houve “grandes progressos” no diálogo.

Apesar disso, o presidente norte-americano condicionou a continuidade das negociações a concessões imediatas por parte de Teerã. “Mas, se por algum motivo um acordo não for alcançado em breve, o que provavelmente acontecerá, e se o Estreito de Ormuz não for imediatamente 'aberto para negócios', concluiremos nossa adorável 'estadia' no Irã explodindo e obliterando completamente todas as suas usinas de geração de energia elétrica, poços de petróleo e a Ilha de Kharg (e possivelmente todas as usinas de dessalinização!), que propositalmente ainda não 'tocamos'”, declarou.

A ameaça gerou forte reação de especialistas, que apontam possíveis violações do direito internacional. A professora assistente de direito internacional da Universidade de Manchester, Yusra Suedi, afirmou que a declaração reforça práticas proibidas em conflitos armados. “Este é claramente um ato de punição coletiva, o que é proibido pelo direito internacional humanitário. Não se pode prejudicar deliberadamente toda uma população civil para pressionar o governo”, disse à Al Jazeera.

O diretor de defesa do grupo DAWN, Raed Jarrar, também criticou duramente a posição de Washington. “Ameaçar destruir a rede elétrica, a infraestrutura petrolífera e o abastecimento de água de uma nação para coagir seu governo não é uma tática de negociação; é punição coletiva clássica e um crime de guerra”, afirmou.

O direito internacional, por meio da Quarta Convenção de Genebra, proíbe explicitamente sanções coletivas e ataques deliberados contra alvos civis. Ainda assim, a Casa Branca minimizou as críticas. A porta-voz Karoline Leavitt declarou que o governo norte-americano “sempre agirá dentro dos limites da lei” e destacou que Trump já deixou claro ao Irã que os EUA possuem “capacidades que vão além da sua mais louca imaginação”.

As ameaças fazem parte de uma escalada iniciada em março, quando Trump deu um prazo inicial de 48 horas para a reabertura do Estreito de Ormuz, posteriormente estendido até 6 de abril. Ao longo das últimas semanas, o presidente tem insistido que o Irã estaria pressionado por um acordo, embora autoridades iranianas neguem negociações diretas com Washington.

O conflito, que já dura cinco semanas, segue sem solução clara. Apesar das ações militares dos Estados Unidos e de Israel, incluindo a morte de altos dirigentes iranianos, não há confirmação pública da existência de um novo governo no país, como alegado por Trump.

Enquanto isso, o Irã mantém ataques com mísseis e drones na região e continua restringindo o tráfego no Estreito de Ormuz, provocando impactos globais nos preços de energia. O país também já alertou que poderá retaliar contra infraestruturas civis de outros países caso suas instalações sejam alvo de novos ataques.

O cenário aumenta o risco de uma escalada ainda mais ampla, com possíveis consequências humanitárias graves, especialmente diante da ameaça direta ao abastecimento de água de milhões de pessoas.

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