Irã ataca petroleiro gigante perto de Dubai
Teerã reage com potente ataque à ameaça de Donald Trump sobre Estreito de Ormuz
247 - Um petroleiro gigante foi atingido por um ataque iraniano nas proximidades de Dubai, intensificando a escalada militar no Oriente Médio e elevando as tensões globais sobre o fornecimento de energia. O episódio ocorre em meio a ameaças do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de reagir com força caso o Irã não reabra o Estreito de Ormuz.
Segundo a agência Reuters, o navio Al-Salmi, de bandeira kuwaitiana e carregado com petróleo bruto, foi alvo de drones e pegou fogo após o ataque. O incidente integra uma série de ofensivas recentes na região desde que Estados Unidos e Israel iniciaram a guerra contra o Irã no fim de fevereiro.
O petroleiro, com capacidade para transportar cerca de 2 milhões de barris de petróleo — avaliados em mais de US$ 200 milhões — sofreu danos no casco e incêndio a bordo, conforme informou a Kuwait Petroleum Corp, proprietária da embarcação. Autoridades de Dubai afirmaram que o fogo foi controlado após a ação dos serviços de emergência e não houve registro de feridos.
O ataque ocorre em um cenário de crescente instabilidade no Golfo e no Estreito de Ormuz, uma das principais rotas globais de energia, responsável pelo transporte de cerca de um quinto do petróleo e gás natural liquefeito do mundo. O conflito, que já dura um mês, tem provocado milhares de mortes, interrompido cadeias de abastecimento e aumentado o risco de impacto na economia global.
Após o episódio, os preços do petróleo registraram alta momentânea, refletindo a preocupação dos mercados com a segurança do fornecimento. Nos Estados Unidos, o preço médio da gasolina ultrapassou US$ 4 por galão pela primeira vez em mais de três anos, pressionando o custo de vida e gerando desgaste político para Trump e seu partido antes das eleições legislativas de novembro.
A escalada militar também se intensificou em outras frentes. Israel afirmou ter conduzido ataques contra infraestrutura militar em Teerã e alvos ligados ao Hezbollah em Beirute. Explosões foram ouvidas na capital iraniana, com relatos de interrupções no fornecimento de energia em bairros da zona leste.
O porta-voz militar do Irã declarou que os alvos dos recentes ataques incluíram bases com presença de militares norte-americanos na região e em Israel. Ao mesmo tempo, forças alinhadas ao Irã, como os houthis no Iêmen, passaram a participar diretamente do conflito, lançando mísseis e drones.
Diante da ampliação do confronto, milhares de soldados da 82ª Divisão Aerotransportada dos Estados Unidos começaram a ser enviados ao Oriente Médio, segundo autoridades americanas ouvidas pela Reuters. O movimento amplia as opções militares de Washington, incluindo a possibilidade de uma ofensiva terrestre.
Apesar da intensificação militar, negociações diplomáticas seguem em andamento. A Casa Branca informou que Trump busca um acordo com o Irã antes de um novo prazo, estabelecido para 6 de abril, para a reabertura do Estreito de Ormuz. A secretária de imprensa Karoline Leavitt afirmou que as conversas estão em progresso, embora haja divergências entre o discurso público de Teerã e suas posições em negociações privadas.
O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmaeil Baghaei, criticou as propostas de paz recebidas por meio de intermediários, classificando-as como "irrealistas, ilógicas e excessivas". Ele afirmou: "Nossa posição é clara. Estamos sob agressão militar. Portanto, todos os nossos esforços e forças estão focados em nos defender".
Logo após as declarações iranianas, Trump reforçou o tom de ameaça em publicação nas redes sociais. "Grande progresso foi feito, mas, se por qualquer motivo um acordo não for alcançado em breve, o que provavelmente será, e se o Estreito de Ormuz não for imediatamente 'aberto para negócios', vamos encerrar nossa adorável 'estadia' no Irã explodindo e obliterando completamente todas as suas usinas de energia, poços de petróleo e a ilha de Kharg", escreveu.
O presidente dos Estados Unidos também indicou que considera envolver países árabes no financiamento da guerra e solicitou ao Congresso americano um adicional de US$ 200 bilhões para custear a operação, proposta que enfrenta forte resistência entre parlamentares.


