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"O objetivo da guerra é balcanizar o Irã", diz professor iraniano

O professor Foad Izadi, da Universidade de Teerã, disse em entrevista à TV 247 que EUA e Israel estão fracassando

Ilustração com as bandeiras de EUA, Irã e Israel e o professor Foad Izadi (Foto: Reuters/Reprodução)

247 - O professor da Universidade de Teerã Foad Izadi afirmou, em entrevista à TV 247, que o conflito envolvendo o Irã está ligado a uma tentativa de mudança do próprio mapa do país. Segundo ele, os adversários de Teerã não buscam uma solução diplomática. “Ele (o presidente dos EUA, Donald Trump) quer mudar o governo do Irã, então você não entra em uma solução diplomática com o governo que quer mudar. E eles fracassaram”, disse. 

Ao avaliar os resultados do conflito até o momento, Izadi declarou que os objetivos militares e políticos não foram alcançados pelos opositores do país, representados por EUA e Israel. “O outro lado não conseguiu alcançar seus objetivos. Os iranianos estão mais unidos”, disse. 

O professor também afirmou que a atuação do presidente dos EUA teve efeito contrário ao esperado dentro do Irã. Segundo ele, Donald Trump acabou fortalecendo a coesão interna do país. “Trump conseguiu unir os iranianos mais do que qualquer político iraniano jamais poderia fazer”.

Comentando manifestações populares, Izadi disse que houve mobilizações massivas após declarações do primeiro-ministro israelense, porém os protestos acabaram assumindo outro direcionamento político. “No primeiro dia, Netanyahu pediu aos iranianos que saíssem às ruas aos milhões. E eles fizeram isso. Na verdade, estão saindo às ruas todas as noites aos milhões, mas estão entoando palavras de ordem contra Trump e Netanyahu”, disse. 

Na avaliação do acadêmico, essas mobilizações refletem um sentimento de resistência nacional. “Portanto, há esse espírito de desafio, esse espírito de resistência, e eles estão fracassando”.

Durante a entrevista, Izadi também apresentou críticas a grupos que, segundo ele, influenciam decisões políticas internacionais. Ao comentar o que chamou de "classe Epstein", afirmou: “Acho que isso é mais uma reação humana normal à classe Epstein. A classe Epstein gosta de bombardear e matar meninas iranianas e gosta de abusar sexualmente de meninas americanas”.

Ele descreveu a existência dessa elite internacional que, segundo sua avaliação, atua motivada por interesses financeiros e práticas ilícitas. “Temos essa classe de pessoas muito corrupta, interessada em dinheiro, envolvida em atividades ilegais e em comportamentos sexuais desviantes, e que já existe há muitos e muitos anos”.

O professor afirmou ainda que o conflito possui dimensões geopolíticas mais amplas, envolvendo diferentes alianças internacionais. “O Irã está lutando pelo mundo civilizado. Os americanos estão lutando por Israel e pela classe Epstein”.

Izadi também sustentou que há um plano para fragmentar territorialmente o país, especialmente em regiões estratégicas. Segundo ele, interesses externos buscam separar áreas ricas em recursos energéticos. “Querem balcanizar o país, desintegrá-lo. Estão interessados na parte do Irã rica em petróleo, que é a região sul. Então querem criar um novo país ali, separar as áreas ricas em petróleo, formar um novo Estado, e o restante do país ficaria sem petróleo”.

Ao detalhar essa hipótese, ele afirmou que potências estrangeiras poderiam incentivar intervenções regionais para enfraquecer o Estado iraniano. “Eles não poderiam se importar menos com o que acontece com o resto do país. Acho que vão incentivar alguns países vizinhos a entrar e tomar uma parte, e então uma versão menor do Irã continuaria existindo no centro, muito menor em tamanho e sem acesso às receitas do petróleo, o que facilitaria pressioná-lo”.

Por fim, Izadi reiterou sua avaliação de que a estratégia não terá sucesso. Segundo ele, apesar das intenções atribuídas aos adversários, o resultado final será o fracasso da iniciativa. “Eles vão fracassar, mas é por isso que começaram esta guerra”.

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