Empresária é morta por ex-prefeito em escritório no Pará
Icicléia Alves Veloso discutia divórcio com Romilson Veloso e Silva quando foi baleada. Polícia Civil apura indícios de premeditação
247 - A empresária Icicléia Alves Veloso, de 41 anos, conhecida como Léia, morreu após ser baleada pelo ex-prefeito de Ourilândia do Norte, no Pará, Romilson Veloso e Silva, de 69 anos, durante uma reunião em um escritório de advocacia para tratar do divórcio do casal. O caso ocorreu na quarta-feira (3), e a morte foi confirmada na quinta-feira (4), após a vítima não resistir aos ferimentos, informa a Folha de São Paulo.
De acordo com a Polícia Civil, que teve acesso às imagens gravadas dentro da sala onde o ex-casal estava, Romilson, que também era vereador pelo PP, atirou contra a nuca de Léia quando os dois ficaram sozinhos no ambiente. O político foi encontrado morto em seguida no banheiro do estabelecimento, com um disparo na boca.
Investigação aponta feminicídio
A Polícia Civil trata o caso como feminicídio. As imagens analisadas pelos investigadores mostram que o disparo ocorreu sem que houvesse discussão entre o ex-casal, segundo o delegado Elioenai de Jesus, responsável pela investigação. Para a polícia, há indícios de que o crime possa ter sido premeditado.
Léia estava sentada em uma cadeira do escritório quando foi atingida. Ela chegou a ser socorrida e levada para a UTI do Hospital Regional da PA-279, mas morreu na tarde de quinta-feira.
Romilson Veloso e Silva era médico e uma figura política conhecida em Ourilândia do Norte. Chamado na cidade de Dr. Veloso, ele foi um dos pioneiros do município, exerceu quatro mandatos como prefeito e havia sido eleito vereador em 2024. Ele e Léia tinham dois filhos adolescentes.
Prefeitura decreta luto oficial
A Prefeitura de Ourilândia do Norte decretou luto oficial de três dias após as mortes. A administração municipal divulgou duas notas separadas lamentando os casos. O corpo do ex-prefeito foi velado na Maçonaria de Ourilândia do Norte.
O feminicídio de Icicléia Alves Veloso ocorre em meio a um cenário persistente de violência contra mulheres no Brasil. Segundo dados do Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM), do Ministério da Saúde, 3.642 mulheres foram assassinadas no país em 2024, o que representa uma taxa de 3,4 mortes a cada 100 mil mulheres.
Os dados integram a nova edição do Atlas da Violência, estudo produzido pelo Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada) e pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública, divulgado no mês passado.
A Lei do Feminicídio, em vigor desde 9 de março de 2015, alterou o Código Penal para tipificar o assassinato de mulheres em contextos de violência doméstica, familiar ou motivados por misoginia.
