Empresário apontado como beneficiário final de fraudes no INSS negocia delação com a PF
Maurício Camisotti está preso desde setembro e é considerado dos principais operadores das irregularidades investigadas na Operação Sem Desconto
247 - O empresário Maurício Camisotti, preso desde setembro do ano passado, negocia um acordo de delação premiada com a Polícia Federal no âmbito das investigações sobre fraudes no INSS. Apontado como possível beneficiário final do esquema, ele é considerado um dos principais operadores das irregularidades investigadas na Operação Sem Desconto.
As tratativas, segundo a Folha de São Paulo, envolvem os advogados Átila Machado e Celso Vilardi, conhecidos por atuarem em acordos de colaboração premiada em outros casos. Procurados, eles não se manifestaram.
Esquema de descontos ilegais
Camisotti foi preso na mesma fase da operação que também levou à detenção de Antonio Carlos Camilo Antunes, conhecido como Careca do INSS. As investigações apuram um esquema de descontos indevidos aplicados sobre aposentadorias e pensões sem autorização dos beneficiários.
O caso ganhou visibilidade em abril do ano passado, quando a Polícia Federal e a Controladoria-Geral da União (CGU) deflagraram a primeira fase da operação. A suspeita é de que entidades responsáveis pelos descontos e empresas prestadoras de serviços atuassem como fachada para operações de lavagem de dinheiro.
Movimentações financeiras sob suspeita
Empresas ligadas a Camisotti teriam recebido transferências da Ambec (Associação de Aposentados Mutualista para Benefícios Coletivos), uma das principais entidades investigadas. Entre 2023 e 2025, o INSS repassou quase R$ 400 milhões à associação.
Relatórios do Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras), elaborados a pedido da CPI do Congresso sobre fraudes no INSS, indicam movimentações consideradas atípicas. Segundo os documentos, o empresário realizou saques em dinheiro que somam R$ 7,2 milhões, distribuídos em 11 retiradas.
No total, entre 2018 e 2025, foram registrados 17 saques, incluindo uma operação de R$ 3 milhões. Também houve a retirada de R$ 285 mil de uma conta vinculada a Camisotti, embora o relatório não identifique com precisão o responsável pelo saque. As transações levantaram suspeitas de tentativa de driblar mecanismos de fiscalização do sistema financeiro.
À época de sua prisão, a defesa do empresário afirmou que ele nunca participou de irregularidades relacionadas ao INSS.
Novos desdobramentos no STF
As investigações seguem em andamento e tiveram novos desdobramentos nesta semana.. Sob relatoria do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), foram determinadas as prisões de outros dois suspeitos e o uso de tornozeleira eletrônica pela deputada Gorete Pereira (MDB-CE), que nega qualquer irregularidade.


