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Diretor executivo do C6 Consignado nega irregularidades em depoimento à CPMI do INSS

Artur Azevedo rejeitou a acusação de prática de venda casada em contratos de crédito consignado

Diretor executivo do Banco C6 Consignado S.A., Artur Ildefonso Brotto Azevedo (Foto: Edilson Rodrigues/Agência Senado)

247 - O diretor executivo do C6 Bank Consignado, Artur Azevedo, negou nesta quinta-feira (19) a existência de irregularidades nas operações da instituição durante depoimento à Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS. Ele também rejeitou a acusação de prática de venda casada em contratos de crédito consignado. As informações são da CNN Brasil.

Durante a oitiva, Azevedo afirmou que o banco "discorda veementemente da decisão do INSS", que suspendeu novas operações de consignado e determinou a devolução de R$ 300 milhões a aposentados. A medida foi adotada após a Controladoria-Geral da União (CGU) apontar possíveis irregularidades.

Suspensão e contestação judicial

De acordo com o executivo, a instituição financeira cumpre as normas vigentes e já acionou a Justiça para tentar reverter a suspensão. Ele declarou que o banco foi impedido de oferecer novos empréstimos e que busca restabelecer as atividades por meio judicial. O INSS identificou indícios de cobranças adicionais em cerca de 320 mil contratos, relacionadas a seguros e pacotes de serviços associados aos empréstimos. Esses custos extras teriam reduzido o valor líquido recebido pelos beneficiários.

Azevedo afirmou que "nunca houve venda casada ou qualquer tipo de irregularidade" e explicou que apenas cerca de 12% dos clientes contrataram produtos acessórios, como seguros ou benefícios adicionais.

Devolução de valores e acordo suspenso

O instituto determinou que a suspensão das operações permanecerá até que os valores cobrados sejam devolvidos aos clientes. O executivo, no entanto, contestou a medida e declarou que "não nos parece correto fazer a devolução integral dos valores contratados legalmente". O acordo de cooperação técnica entre o INSS e o banco, renovado no ano passado, encontra-se suspenso após a decisão. Segundo Azevedo, a instituição aguarda definição judicial sobre o caso.

Azevedo foi o primeiro representante de grandes bancos a prestar esclarecimentos à CPMI, que investiga fraudes em benefícios de aposentados e pensionistas. Durante a sessão, ele se recusou a assumir o compromisso de dizer a verdade, seguindo orientação de sua defesa. A presença do executivo ocorreu após negativa do Supremo Tribunal Federal (STF) a um pedido para evitar o comparecimento. A comissão também havia previsto ouvir a presidente do Banco Crefisa, Leila Pereira, mas ela foi dispensada após decisão judicial.

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