Empresários financiaram conclusão de "Dark Horse" após interrupção de repasses de Daniel Vorcaro
Sem a entrada dos recursos previstos, a produção enfrentou dificuldades para honrar despesas essenciais
247 - Um grupo de empresários próximos à família Bolsonaro foi mobilizado para financiar, em caráter emergencial, a conclusão da cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro, intitulada Dark Horse. Segundo reportagem do SBT News, a busca por novos financiadores ocorreu depois que o banqueiro Daniel Vorcaro interrompeu os repasses destinados ao projeto no fim de 2025.
Sem a entrada dos recursos previstos, a produção enfrentou dificuldades para honrar despesas essenciais, colocando em risco a finalização e o lançamento do longa-metragem.
Inicialmente, Vorcaro teria firmado um acordo com o senador Flávio Bolsonaro para investir US$ 24 milhões na produção. Pelo entendimento entre as partes, o banqueiro seria o único financiador do projeto, dispensando a participação de outros investidores.
Entretanto, após a deflagração da Operação Compliance Zero, Daniel Vorcaro passou a enfrentar dificuldades financeiras e deixou de cumprir integralmente o cronograma de pagamentos. De acordo com informações publicadas pelo The Intercept e citadas pelo SBT News, o banqueiro transferiu US$ 10,6 milhões por meio da empresa Entrepay, valor inferior ao inicialmente acordado.
Diante desse cenário, interlocutores ligados ao senador Flávio Bolsonaro e ao deputado federal Mário Frias passaram a buscar novos investidores para cobrir a diferença de aproximadamente US$ 13,4 milhões prevista no contrato original. Conforme a reportagem, foram comercializadas cinco cotas de investimento, com valores distintos, acompanhadas da promessa de devolução do capital acrescida de 20% sobre a arrecadação obtida nas bilheterias.
Ainda segundo o relato obtido pelo SBT News, Mário Frias, que atua como produtor executivo do filme, promoveu cortes no planejamento inicial para reduzir custos e viabilizar a conclusão da obra, incluindo o cancelamento de algumas locações.
"O Mário Frias disse que tinha ido até a Argentina para tentar fazer as locações lá, mas desistiu da ideia pelo risco de bitributação", afirmou o empresário ouvido pelo SBT News.
Uma perícia privada apresentada pela produtora Go Up, responsável pelo filme, aponta que o custo efetivo da produção foi de US$ 13,39 milhões, valor US$ 10,6 milhões inferior ao montante originalmente previsto no acordo firmado entre Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro.
O laudo foi elaborado no contexto de uma auditoria que apura o repasse de recursos da Prefeitura de São Paulo ao projeto. Segundo o documento, cerca de US$ 3,7 milhões foram destinados às etapas realizadas no Brasil, enquanto aproximadamente US$ 9,64 milhões corresponderam às despesas nos Estados Unidos.
A reportagem também informa que um orçamento preliminar elaborado antes do início das gravações estimava um custo entre US$ 23 milhões e US$ 26 milhões. Essa projeção incluía aproximadamente US$ 6,29 milhões destinados a impostos, taxas e despesas administrativas, sem detalhamento específico desses valores.
Ao SBT News, a proprietária da Go Up, Karina Gama, declarou que "o investimento do filme já foi amplamente discutido" e citou o laudo pericial mencionado na reportagem. As assessorias do deputado federal Mário Frias e do senador Flávio Bolsonaro também foram procuradas pelo veículo, que informou aguardar manifestação dos parlamentares.



