Exército desenvolve sistema de IA para coordenar enxame de drones
Projeto do IME integra drones e robôs autônomos com dados em tempo real para operações militares
247 - O Exército Brasileiro apresentou, na quinta-feira (5), um projeto tecnológico voltado ao uso de inteligência artificial para coordenar múltiplos drones e veículos autônomos em operações militares. A iniciativa busca integrar diferentes plataformas robóticas capazes de atuar de forma colaborativa, compartilhando informações em tempo real e executando missões de maneira coordenada.
O projeto é conduzido pelo Departamento de Ciência e Tecnologia (DCT), por meio do Instituto Militar de Engenharia (IME), e integra os esforços da Força para avançar em áreas estratégicas como robótica, inteligência artificial e sistemas autônomos.
Projeto usa inteligência artificial para drones militares
A iniciativa foi batizada de “Enxame de Veículos Autônomos Aéreos e Terrestres: Guiamento, Controle e Navegação (EVAAT-GCN)”, conhecida como sistema “Enxame de Drones”. O objetivo é desenvolver um demonstrador tecnológico capaz de coordenar diferentes robôs autônomos, tanto aéreos quanto terrestres, em operações integradas.
O conceito central do sistema é permitir que drones e outros veículos robóticos operem de forma colaborativa, trocando dados em tempo real e tomando decisões de forma distribuída. Esse modelo pode ampliar a eficiência de missões militares e reduzir a exposição de soldados a situações de risco.
Entre as aplicações previstas estão atividades de reconhecimento, vigilância e, potencialmente, apoio de fogo com elevado nível de precisão. A proposta busca ampliar significativamente as capacidades operacionais do Exército em cenários complexos.
Durante a apresentação do projeto, o chefe do Departamento de Ciência e Tecnologia, general de Exército Hertz Pires do Nascimento, destacou o avanço da iniciativa e suas perspectivas.
“Estamos apresentando o resultado prático de um dos projetos financiados pela FINEP (Financiadora de Estudos e Projetos), o ‘Enxame de Drones’. Teremos drones de reconhecimento e drones armados, equipados com diversos sensores, com uma série de capacidades disruptivas, que nós estamos trabalhando para finalizar até o final deste ano”.
A expectativa é que o projeto também sirva de base para um futuro sistema padronizado de emprego militar no Exército Brasileiro.
Parceria científica impulsiona tecnologia de defesa
O desenvolvimento do sistema conta com financiamento da Financiadora de Estudos e Projetos (FINEP), vinculada ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação.
Além da equipe de pesquisadores e estudantes do IME, participam da iniciativa instituições brasileiras de pesquisa, como a Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), o Instituto Nacional de Matemática Pura e Aplicada (IMPA) e o Laboratório Nacional de Computação Científica (LNCC).
Atualmente, o Exército conduz 48 projetos de pesquisa em parceria com a FINEP. As iniciativas abrangem áreas consideradas estratégicas, como defesa cibernética, tecnologias quânticas, inteligência artificial, robótica, radares e sensores, além de proteção balística e defesa química, biológica, radiológica e nuclear.
Durante a programação de apresentação dos projetos, representantes do Exército e da FINEP detalharam o andamento das iniciativas, os resultados obtidos e as entregas previstas em cada linha de pesquisa.
Sistema pode ampliar capacidade operacional do Exército
Segundo o diretor de Desenvolvimento Científico e Tecnológico da FINEP, Carlos Alberto Aragão de Carvalho Filho, a divulgação dos resultados é importante para demonstrar o impacto dos investimentos realizados em parceria com o Exército Brasileiro.
A cooperação entre instituições científicas e as Forças Armadas também busca fortalecer a Base Industrial de Defesa, uma vez que os recursos aplicados em pesquisa retornam na forma de inovação tecnológica e geração de conhecimento voltado à segurança nacional.


