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Filme sobre Bolsonaro supera orçamento de 15 vencedores do Oscar

Produção “Dark Horse”, ligada à família Bolsonaro, teria custo de US$ 24 milhões e orçamento maior que o de filmes premiados como “Parasita” e “Moonlight”

Filme sobre Bolsonaro supera orçamento de 15 vencedores do Oscar (Foto: Divulgação )
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247 - O filme “Dark Horse”, cinebiografia sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro, teria recebido um aporte milionário articulado pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência da República. Segundo informações publicadas pelo Intercept Brasil e repercutidas pela jornalista Malu Gaspar, do jornal O Globo, o parlamentar solicitou US$ 24 milhões — cerca de R$ 134 milhões na cotação da época — ao banqueiro Daniel Vorcaro, ex-CEO do Banco Master, para financiar a produção cinematográfica.

De acordo com a reportagem, Vorcaro teria transferido cerca de R$ 62 milhões entre fevereiro e maio de 2025, mas os repasses foram interrompidos em meio à crise enfrentada pela instituição financeira. O longa tem o ator norte-americano Jim Caviezel, conhecido por interpretar Jesus Cristo em “A Paixão de Cristo”, no papel de Jair Bolsonaro.

O valor previsto para “Dark Horse” chama atenção por ultrapassar com folga os padrões do cinema brasileiro recente, inclusive de produções de destaque internacional como “O agente secreto” (2025) e “Ainda estou aqui”. O orçamento também coloca o projeto em um patamar superior ao de diversos vencedores do Oscar de Melhor Filme nas últimas duas décadas.

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Orçamento supera filmes premiados

Com US$ 24 milhões, seria possível produzir 15 dos últimos 20 vencedores da principal categoria do Oscar. Entre os filmes que tiveram custos inferiores ao previsto para “Dark Horse” estão “Anora”, produzido com US$ 6 milhões, “Nomadland”, com US$ 5 milhões, e “Moonlight: sob a luz do luar”, que custou apenas US$ 1,5 milhão.

Outros títulos premiados pela Academia também ficaram abaixo da cifra atribuída ao longa sobre Bolsonaro. É o caso de “Parasita”, vencedor sul-coreano produzido com US$ 11,4 milhões, “O discurso do rei”, com orçamento de US$ 15 milhões, e “Spotlight: segredos revelados”, realizado com US$ 20 milhões.

A lista inclui ainda produções como “Tudo em todo lugar ao mesmo tempo”, com US$ 20 milhões, “Green Book: o guia”, com US$ 23 milhões, e “Birdman ou (a inesperada virtude da ignorância)”, orçado em US$ 18 milhões. Todos tiveram custos inferiores ao projeto cinematográfico ligado à família Bolsonaro.

Produções mais caras são exceção

Entre os vencedores do Oscar que superaram o orçamento de “Dark Horse” estão produções de grande porte e forte apelo comercial. “Oppenheimer”, dirigido por Christopher Nolan, teve custo estimado em US$ 100 milhões, enquanto “Os infiltrados”, de Martin Scorsese, consumiu cerca de US$ 90 milhões.

Também aparecem acima da faixa dos US$ 24 milhões filmes como “Argo”, com orçamento de US$ 44,5 milhões, e “Onde os fracos não têm vez”, produzido com US$ 25 milhões. O mais caro da lista é “Uma batalha após a outra”, estimado em US$ 135 milhões.

A repercussão do caso ampliou o debate sobre o volume de recursos mobilizados para a produção de “Dark Horse”, sobretudo em comparação com o mercado audiovisual brasileiro, historicamente marcado por orçamentos mais modestos. O projeto já vinha chamando atenção desde o anúncio do elenco e das participações da família Bolsonaro na narrativa do longa.

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