Flávio e candidatos do PSD negociam “trégua” no 1º turno
Direita tenta criar “front anti-Lula”, mas bastidores revelam estratégia de sobrevivência eleitoral
247 - A movimentação do PSD para 2026 ganhou novo peso com a filiação do governador de Goiás, Ronaldo Caiado, ao partido, ampliando a lista de nomes que se colocam como alternativa ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). No discurso público, lideranças da direita tentam transmitir a ideia de unidade e evitar ataques internos no primeiro turno, enquanto, nos bastidores, o jogo é de cálculo e espera para medir quais candidaturas de fato se sustentarão. As informações são da jornalista Andréia Sadi, do G1.
A estratégia predominante entre os principais atores do campo conservador é aguardar prazos eleitorais e mudanças de cenário antes de qualquer definição mais rígida. A lógica, segundo a apuração, se aproxima de um “resta um”: todos se posicionam, mas observam quem terá fôlego para permanecer competitivo até a consolidação das chapas.
Com a chegada de Caiado ao PSD na semana passada, o partido passa a abrigar três figuras já colocadas como pré-candidatas: além do governador goiano, aparecem Ratinho Júnior (Paraná) e Eduardo Leite (Rio Grande do Sul). Esse trio compõe um novo bloco que se apresenta como “front anti-Lula”, ao menos no plano retórico e enquanto a disputa interna não se intensifica.
Ao mesmo tempo, a direita em torno do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) também busca vender uma imagem de trégua no primeiro turno, com a mensagem de “ninguém solta a mão de ninguém”. A apuração, porém, aponta que a convivência entre pré-candidatos e potenciais postulantes segue marcada por tensão controlada: oficialmente há pacto de não agressão “por ora”, mas, longe das câmeras, cada grupo testa caminhos para não ficar para trás.
A indefinição abre espaço até mesmo para hipóteses hoje tratadas como secundárias, como a eventual reabilitação do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), no debate presidencial. Embora ele tenha declarado que disputará a reeleição ao Palácio dos Bandeirantes, seu nome reaparece sempre que aliados cogitam mudanças bruscas no percurso, inclusive se houver algum revés envolvendo a candidatura de Flávio Bolsonaro.
No cálculo do senador, ataques concentrados a Lula no primeiro turno podem beneficiar quem estiver no campo adversário, elevando a rejeição do presidente e rearrumando o tabuleiro para a etapa decisiva da eleição. Ao tratar da importância de Tarcísio, Flávio afirmou: “Eu preciso de Tarcísio forte”.


