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Flávio Bolsonaro quer lançar Nikolas Ferreira ao governo de Minas Gerais

Deputado, no entanto, resiste à ideia

Nikolas Ferreira e Flávio Bolsonaro (Foto: Bruno Spada/Câmara dos Deputados | Carlos Moura/Agência Senado)

247 - O senador Flávio Bolsonaro (PL), pré-candidato à Presidência da República, voltou a considerar a possibilidade de lançar o deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) ao governo de Minas Gerais, em uma articulação que envolve partidos do centrão. A movimentação ganhou força nos últimos dias e foi debatida em conversas com dirigentes do União Brasil e do PP, que hoje atuam de forma federada. Interlocutores confirmaram as tratativas, que têm como pano de fundo a necessidade de um palanque robusto em um dos estados mais estratégicos do país, segundo a Folha de São Paulo.

De acordo com aliados, a viabilidade da candidatura de Nikolas está diretamente ligada à posição do atual governador Romeu Zema (Novo). O chefe do Executivo mineiro é cotado para compor como vice uma eventual chapa presidencial liderada por Flávio Bolsonaro, mas também se coloca como pré-candidato ao Planalto. Caso Zema mantenha essa ambição, o cenário em Minas se torna mais complexo para o PL, já que o vice-governador Matheus Simões (PSD) é apontado como herdeiro natural do cargo estadual.

Simões, que deve assumir o governo em março, já deixou clara sua posição sobre o alinhamento político no estado. “O presidente [do partido, Gilberto] Kassab foi muito claro. Em Minas Gerais, o palanque é do governador Romeu Zema, é assim que nós caminharemos”, afirmou ele em outubro do ano passado.

Dentro do centrão, a avaliação é de que Nikolas Ferreira seria um candidato altamente competitivo ao Palácio Tiradentes. O deputado é visto como favorito em uma eventual disputa, tanto pelo desempenho eleitoral quanto pela capacidade de mobilização. Minas Gerais é considerado decisivo nas eleições nacionais, já que os últimos presidentes eleitos também venceram no estado, o segundo maior colégio eleitoral do país, marcado por equilíbrio entre forças políticas.

Apesar do entusiasmo de parte das legendas, aliados relatam que Nikolas já manifestou, em outras ocasiões, resistência a disputar um cargo majoritário. Pessoas próximas a Flávio Bolsonaro afirmam que, no ano passado, o parlamentar foi consultado sobre a possibilidade e respondeu negativamente. Ainda assim, a avaliação interna mudou, e sua candidatura passou a ser tratada como estratégica para impulsionar o desempenho do PL em Minas.

Segundo interlocutores, haverá uma nova tentativa de convencê-lo. O deputado é apontado como um nome com forte apelo digital e presença em atos de rua, características que reforçaram sua projeção nacional. O partido avalia que a manifestação realizada em Brasília no último dia 25, contra a prisão de Jair Bolsonaro (PL), reforçou esse capital político.

Nikolas Ferreira foi o deputado federal mais votado do país em 2022, com 1,47 milhão de votos. No PL, a expectativa é que ele supere a marca de 2 milhões em 2026, impulsionado pelo alcance nas redes sociais e pelo papel de cabo eleitoral exercido na campanha municipal de 2024.

Procurado, o coordenador da campanha presidencial de Flávio Bolsonaro, senador Rogério Marinho (PL-RN), disse não ter conhecimento das negociações, mas elogiou o deputado mineiro. “Não soube. Mas é um bom nome. Se ele tiver interesse, vamos respaldar, mas até agora não manifestou".

Caso Nikolas não aceite entrar na disputa, o PL precisará estruturar outro nome competitivo em Minas Gerais. Entre as alternativas citadas está o senador Cleitinho (Republicanos), identificado com pautas conservadoras, embora tenha protagonizado atritos com Jair Bolsonaro e sua família.

No campo governista, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) defende a candidatura do senador Rodrigo Pacheco (PSD) ao governo mineiro. Diante da resistência do ex-presidente do Senado, o Planalto passou a trabalhar com opções alternativas. Aparecem como possíveis nomes o presidente da Assembleia Legislativa de Minas Gerais, Tadeu Leite (MDB), e o ex-procurador-geral de Justiça Jarbas Soares.

Paralelamente às articulações eleitorais, Nikolas Ferreira também figura em um episódio recente envolvendo Jair Bolsonaro, que está preso na Papudinha, em Brasília. A defesa de Bolsonaro solicitou ao Supremo Tribunal Federal autorização para visitas do deputado e de outros três parlamentares do PL: Sanderson (RS) e os senadores Carlos Portinho (RJ) e Bruno Bonetti (RJ). O ministro relator Alexandre de Moraes autorizou os encontros, que devem ocorrer individualmente nos dias 18 e 21 de fevereiro.

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