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Governo articula agenda nacional do novo ministro da Justiça para destacar entregas na segurança pública

Planalto aposta em viagens e entregas do Ministério da Justiça para enfrentar críticas e reforçar discurso de combate ao crime organizado em ano eleitoral

Presidente Lula durante transmissão de cargo para o novo ministro da Justiça e Segurança Pública, Wellington César Lima e Silva (Foto: Ricardo Stuckert / PR)

247 - O governo federal trabalha na montagem de um calendário de viagens pelo país para o novo ministro da Justiça, Wellington César Lima e Silva, com o objetivo de ampliar a visibilidade da pauta da segurança pública ao longo do ano eleitoral. A estratégia busca apresentar ações concretas do Executivo e responder às críticas recorrentes da oposição sobre o desempenho da gestão na área. As informações são do jornal O Globo.

O plano vem sendo elaborado desde a escolha de Lima e Silva para substituir Ricardo Lewandowski no comando da pasta. A proposta prevê um roteiro de compromissos em cidades consideradas estratégicas, com foco na apresentação de iniciativas de integração entre União e estados, uso de inteligência policial e operações voltadas ao enfrentamento do crime organizado.

A segurança pública é vista no Palácio do Planalto como um dos principais temas das eleições deste ano. Integrantes do governo avaliam que a oposição tentará explorar o tema para desgastar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, enquanto a estratégia do Executivo será reforçar a narrativa de atuação coordenada e focada no chamado “andar de cima” do crime, mirando as estruturas financeiras das facções.

O primeiro ciclo de viagens do novo ministro está em fase final de preparação e dependerá de aval direto do Planalto. Cada deslocamento será acompanhado de perto pelo núcleo mais próximo do presidente, numa tentativa de alinhar discurso e ações. Nesse início de gestão, Lima e Silva tem atuado em sintonia com auxiliares palacianos, como o ministro da Secretaria de Comunicação Social, Sidônio Palmeira, e a secretária-executiva da Casa Civil, Miriam Belchior. O advogado-geral da União, Jorge Messias, também tem dado suporte ao novo titular da Justiça.

A expectativa, segundo um governista com trânsito no Planalto, é que Lima e Silva assuma o papel de principal porta-voz do governo na área de segurança pública, funcionando inclusive como uma forma de blindagem política ao presidente. No entanto, a primeira manifestação pública do ministro gerou desgaste interno. Ao falar com jornalistas, ele afirmou que a crise do Banco Master teria sido o “eixo” de uma reunião que contou com autoridades do Executivo, do Supremo Tribunal Federal e com o próprio Lula. Diante da repercussão, a Secretaria de Comunicação Social precisou desmentir publicamente a informação.

Para integrantes do governo, o episódio evidenciou a necessidade de maior cuidado na comunicação do ministro, que deverá passar por treinamentos para evitar novos ruídos. Apesar disso, Lima e Silva assumiu a pasta com a missão explícita de dar prioridade ao combate às facções criminosas e de avançar na articulação política de propostas legislativas consideradas estratégicas.

Entre os projetos em pauta estão a Proposta de Emenda à Constituição da Segurança Pública e o projeto de lei antifacção. O líder do PT na Câmara, Lindbergh Farias (RJ), defendeu publicamente a atuação do novo ministro. Em publicação nas redes sociais, afirmou que Lima e Silva terá de “percorrer o país, reforçar a coordenação federativa e imprimir força e direção à política de segurança, combinando inteligência, eficiência investigativa e presença institucional”.

Paralelamente à definição da linha de atuação, o ministro finaliza conversas internas para promover mudanças na estrutura do ministério. Das oito secretarias da pasta, ao menos quatro devem ter seus titulares substituídos, incluindo a secretaria-executiva, a de Segurança Pública, a de Assuntos Legislativos e uma quarta ainda em definição.

Outro desafio imediato será a aproximação com o Congresso Nacional. Lima e Silva pretende se reunir com o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), e com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), já no início dos trabalhos legislativos de 2026. A meta é destravar a PEC da Segurança Pública, que tramita desde abril do ano passado e sofreu alterações do relator, deputado Mendonça Filho (União-PE), consideradas desfavoráveis pelo governo.

Apesar das divergências, Mendonça Filho elogiou a escolha do novo ministro e sinalizou retomada do diálogo entre Executivo e Legislativo. Segundo o parlamentar, interlocutores de Lima e Silva já o procuraram, e há expectativa de uma reunião ainda nesta semana para discutir os próximos passos da proposta.

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