Governo federal amplia ações de prevenção e tratamento do câncer no SUS
Programa Agora Tem Especialistas fortalece prevenção, amplia diagnóstico precoce e trabalha para garantir tratamento contra o câncer à população
247 - O Brasil deve registrar cerca de 781 mil novos casos de câncer por ano entre 2026 e 2028, segundo projeções oficiais divulgadas nesta semana. A estimativa, que exclui os tumores de pele não melanoma, aponta aproximadamente 518 mil casos anuais, evidenciando o avanço da doença como uma das principais causas de adoecimento e mortalidade no país.
As informações fazem parte do estudo “Estimativa 2026–2028: Incidência de Câncer no Brasil”, publicado pelo Instituto Nacional de Câncer (INCA). O levantamento relaciona o crescimento da incidência, entre outros fatores, ao envelhecimento da população brasileira.
Diante desse cenário, o Governo do Brasil lançou em 2025 o programa Agora Tem Especialistas, com foco em fortalecer a prevenção, ampliar o diagnóstico precoce e garantir tratamento oncológico no tempo adequado pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Segundo o Ministério da Saúde, a iniciativa busca colocar a oncologia no centro das políticas públicas nacionais.
O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, afirmou que a proposta é estruturar uma grande rede pública voltada ao enfrentamento da doença. “Quando lançamos o Agora Tem Especialistas, fizemos questão de criar um eixo específico para o câncer, porque ele já é uma prioridade absoluta do SUS. O desafio que assumimos é estruturar a maior rede pública de prevenção, diagnóstico e tratamento do câncer do mundo. O programa não se resume à expansão de serviços, mas à qualificação do cuidado, com coordenação nacional e o papel estratégico do INCA. Cada vitória de um paciente é uma vitória coletiva contra o câncer”, declarou.
Tipos de câncer mais comuns no Brasil
O estudo do INCA aponta que, entre os homens, os cânceres mais incidentes são os de próstata, cólon e reto, pulmão, estômago e cavidade oral. Entre as mulheres, predominam os casos de mama, cólon e reto, colo do útero, pulmão e tireoide.
O câncer de pele não melanoma continua sendo o mais frequente entre ambos os sexos, mas aparece separado na estatística por ter alta incidência e baixa letalidade. A publicação também chama atenção para doenças com grande potencial de prevenção e detecção precoce, como o câncer de colo do útero e o colorretal.
Mamografia passa a ser ampliada para mais faixas etárias
Entre as principais medidas anunciadas está a ampliação do acesso à mamografia no SUS. A partir da mudança, mulheres de 40 a 49 anos, mesmo sem sintomas, podem realizar o exame na rede pública. Antes, a recomendação estava restrita ao grupo entre 50 e 69 anos. A faixa superior também foi ampliada, passando de 69 para 74 anos.
O Ministério da Saúde avalia que a medida fortalece a detecção precoce e amplia as chances de cura. Em 2025, somente com mamografias bilaterais de rastreamento, o SUS realizou cerca de 3 milhões de exames.
Dados da pesquisa Vigitel/MS 2025 apontam que 92% das mulheres entre 50 e 69 anos relataram ter feito mamografia, resultado associado à expansão do acesso ao exame na rede pública.
SUS incorpora novo medicamento contra câncer de mama HER2 positivo
Outro avanço destacado foi a incorporação de um medicamento inédito para o tratamento do câncer de mama do tipo HER2 positivo. Segundo o governo, a terapia pode reduzir em até 50% a mortalidade e teve investimento de R$ 159,3 milhões, com custo aproximadamente 50% menor que o valor praticado no mercado, garantindo atendimento integral da demanda no SUS.
Carretas percorrem municípios para reforçar prevenção
Em 2025, o programa também levou atendimento móvel para diversas regiões do país. Foram 33 carretas de atenção à saúde da mulher, com foco na prevenção do câncer de mama e do colo do útero. As unidades ofereceram consultas e exames como mamografia, ultrassonografia pélvica e transvaginal, além de biópsias para diagnóstico precoce.
Padilha afirmou que a estratégia busca reduzir desigualdades regionais no acesso aos serviços. “A saúde da mulher precisa ser prioridade absoluta no SUS. Começamos pelo câncer de mama porque é o tipo de câncer que mais mata mulheres no nosso país e porque elas são a maioria das pessoas que utilizam o SUS”, disse o ministro.
Novo teste DNA-HPV fortalece diagnóstico precoce do colo do útero
Para ampliar a prevenção e o diagnóstico precoce do câncer do colo do útero, o programa implementou no SUS o teste molecular DNA-HPV, desenvolvido com tecnologia nacional. O exame foi inicialmente ofertado em 12 estados e permite identificar a presença do vírus antes do surgimento de lesões, inclusive em mulheres assintomáticas.
Segundo o Ministério da Saúde, a medida reduz o tempo de espera por atendimento especializado e aumenta as chances de cura. “O enfrentamento do câncer do colo do útero passa pela ampliação da vacinação contra o HPV, pelo diagnóstico e pelo acesso ao tratamento no tempo adequado”, afirmou Padilha.
Vacinação contra HPV avança e alguns estados já superam meta da OMS
A vacinação contra o HPV continua sendo apontada como essencial na prevenção de diferentes tipos de câncer. O imunizante está disponível no SUS para meninas e meninos de 9 a 14 anos, além de públicos específicos, como imunossuprimidos, vítimas de violência sexual, usuários de PrEP e crianças com papilomatose respiratória recorrente.
Dados preliminares de 2025 indicam que a cobertura vacinal chegou a 85% entre meninas e 73% entre meninos nessa faixa etária. Oito estados já ultrapassaram 90%, meta acordada com a Organização Mundial da Saúde (OMS) para ser alcançada até 2030 dentro da Iniciativa de Eliminação do Câncer do Colo do Útero.
Quimioterapia bate recorde e radioterapia ganha novo modelo de financiamento
No campo do tratamento, o SUS registrou em 2025 um recorde histórico na quimioterapia, com quase 7 milhões de procedimentos realizados até novembro. O volume representa um aumento de cerca de 80% em comparação com 2022, quando foram contabilizados 3,9 milhões.
Na radioterapia, o Ministério da Saúde implementou uma nova portaria em 2025 que alterou o modelo de financiamento: quanto mais pacientes atendidos, maior o repasse de recursos. Também foi criado um auxílio exclusivo para custear transporte, alimentação e hospedagem de pacientes que precisam realizar radioterapia longe de casa.
Governo amplia estrutura com aceleradores lineares
Outra ação estruturante foi a entrada em funcionamento de 24 novos aceleradores lineares em 2025, incluindo o primeiro equipamento do tipo instalado no Amapá. Segundo o governo, cada aparelho pode atender ao menos 600 pacientes por ano.
Para 2026, está prevista a aquisição de mais 131 equipamentos, com o objetivo de ampliar a cobertura e garantir atendimento dentro do tempo recomendado para pacientes oncológicos.
Estratégia Viva Mais Brasil aposta em prevenção e hábitos saudáveis
Além do fortalecimento do atendimento especializado, o Governo do Brasil lançou no início de 2026 a estratégia Viva Mais Brasil, com investimento de R$ 340 milhões e dez compromissos voltados à promoção da saúde.
A iniciativa reúne medidas associadas à prevenção do câncer, como estímulo à atividade física, alimentação saudável, redução do tabagismo e do consumo de álcool, ampliação da vacinação e enfrentamento de doenças crônicas. Dentro do pacote, a Academia da Saúde receberá mais R$ 40 milhões ainda em 2026, segundo o Ministério da Saúde.


