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Groenlândia afirma ser "incompreensível" debate nos EUA sobre controle da ilha

Ministra diz que população está apreensiva e rejeita qualquer hipótese de anexação ou venda

Homem perto da bandeira de Dinamarca em Nuuk, na Groenlândia - 09/03/2025 (Foto: REUTERS/Marko Djurica)

247 - A possibilidade de os Estados Unidos assumirem o controle da Groenlândia provocou reação firme do governo local, que classificou o debate como incompreensível e motivo de grande preocupação para a população do território autônomo ligado ao Reino da Dinamarca. O tema ganhou destaque nesta terça-feira (13), em meio ao aumento das tensões diplomáticas entre aliados no contexto da segurança no Ártico.

A ministra de Negócios e Recursos Minerais da Groenlândia, Naaja Nathanielsen, afirmou que o discurso vindo de Washington tem causado apreensão entre os habitantes da ilha. Segundo ela, os moradores estão “muito, muito preocupados” com a discussão sobre o futuro do território. “Nós simplesmente não conseguimos entender”, disse a ministra durante um encontro com parlamentares no Reino Unido.

As declarações foram feitas às vésperas de uma reunião em Washington entre representantes da Groenlândia e da Dinamarca com autoridades americanas. Nathanielsen reconheceu que os groenlandeses compreendem a importância estratégica da ilha para os Estados Unidos. “Nós entendemos isso e queremos cooperar”, afirmou, ao mencionar a necessidade de maior monitoramento no Ártico diante da instabilidade geopolítica na região.

Apesar disso, a ministra destacou que qualquer mudança deve ocorrer apenas “sem o uso da força”. Ela classificou como “inconcebível” a possibilidade de a Groenlândia ser vendida ou anexada e reforçou a posição do governo local. “Não queremos ser propriedade ou governados pelos Estados Unidos”, declarou.

O debate ganhou novo impulso após declarações de Donald Trump, atual presidente dos Estados Unidos, que voltou a defender que o país precisa “assumir a Groenlândia”, citando riscos de influência russa ou chinesa. Trump disse preferir a via diplomática, mas acrescentou que “de um jeito ou de outro, vamos ficar com a Groenlândia”.

Diante da repercussão, autoridades da Otan evitaram comentar diretamente a controvérsia e ressaltaram que a prioridade da aliança deve ser a segurança no Ártico. Paralelamente, uma delegação bipartidária do Congresso americano deve viajar a Copenhague nos próximos dias para tentar demonstrar unidade entre Estados Unidos e Dinamarca.

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