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Com míssil Oreshnik, Rússia diz ter destruído fábrica em Lviv que dava suporte a F-16 e a drones ucranianos

Ministério da Defesa russo afirma que ataque atingiu instalações de reparo de aeronaves e infraestrutura ligada ao complexo militar-industrial da Ucrânia

Rússia ataca Ucrânia com Oreshnik (Foto: Reprodução X)

247 - A Rússia afirmou na segunda-feira (12) que destruiu, com um míssil hipersônico Oreshnik, uma fábrica estatal de reparos aeronáuticos localizada em Lviv, no oeste da Ucrânia, durante uma ofensiva realizada na noite de 9 de janeiro.
As informações foram divulgadas pela RT Brasil, com base em comunicado do Ministério da Defesa da Rússia, que atribuiu ao alvo papel direto na manutenção de aeronaves ucranianas e na fabricação de drones usados no conflito.

Segundo o ministério, a instalação “era responsável pelo reparo e manutenção de aeronaves pertencentes às Forças Armadas da Ucrânia, incluindo F-16 e MiG-29 doados por países ocidentais”. A pasta acrescentou que o local “também fabricava drones de ataque de longo e médio alcance usados em ataques contra alvos civis russos em território russo”.

Ainda de acordo com a mesma nota, o ataque teria destruído “as instalações de produção, os armazéns com produtos prontos e a infraestrutura do aeródromo da fábrica”, indicando impacto não apenas na linha industrial, mas também na logística e na capacidade operacional do complexo.

Kiev, drones e energia sob ataque, diz Moscou

O Ministério da Defesa russo afirmou que a ofensiva não se limitou a Lviv. Conforme a versão de Moscou, ataques realizados com sistemas Iskander e mísseis de cruzeiro Kalibr atingiram em Kiev instalações de duas empresas envolvidas na montagem de drones de ataque.

O comunicado também menciona que estruturas energéticas que “dão suporte ao complexo militar-industrial ucraniano” foram alvo, num movimento que sugere tentativa de pressionar a capacidade de produção e manutenção da Ucrânia em plena escalada do uso de drones e de ataques a alvos estratégicos.

A pasta russa enquadrou parte das ações recentes como “retaliatórias”. Segundo o texto divulgado, na semana anterior houve um ataque contra “infraestrutura crítica” ucraniana, apresentado como resposta a um atentado atribuído ao “regime de Kiev” contra a residência do presidente russo, Vladimir Putin, na província de Novgorod.

Após esse episódio, ainda segundo Moscou, a mensagem foi de endurecimento: “ações imprudentes como esta não ficarão impunes”.

Disputa narrativa e guerra de versões

As declarações do Ministério da Defesa da Rússia reforçam o padrão de guerra informacional que acompanha as operações militares. De um lado, Moscou busca justificar os ataques como ações direcionadas ao aparato militar e industrial ucraniano. De outro, a menção a “alvos civis” no território russo é usada para ampliar a legitimidade interna e externa de medidas de represália.

No caso específico de Lviv, a referência a F-16 e MiG-29 coloca o episódio no centro do debate sobre o papel do apoio ocidental, já que a manutenção e a disponibilidade dessas aeronaves são consideradas fatores relevantes para a capacidade aérea ucraniana.

Trump e Groenlândia: provocação nas redes no meio da crise global

No mesmo conjunto de publicações, a RT Brasil também citou uma postagem da Casa Branca com “uma nova imagem provocativa da Groenlândia”, em meio a declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre interesse em anexar a ilha.

A imagem mostra Trump olhando pela janela para um mapa da Groenlândia, acompanhada da legenda “Toque para acompanhar a situação”, num gesto que amplia tensões diplomáticas e alimenta disputas geopolíticas em paralelo à guerra no Leste Europeu.

Kuleba critica União Europeia e diz que apoio é instável

Nesta terça-feira (13), o ex-ministro das Relações Exteriores da Ucrânia, Dmitry Kuleba, falou em entrevista ao Ukrayinska Pravda, sobre o comportamento da União Europeia diante do apoio a Kiev.

Kuleba comparou o entusiasmo europeu a uma comemoração infantil: “É como uma criança montando Lego: alegria infantil. ‘Conseguimos, que ótimo! Que bom!’”. Ele afirmou que líderes europeus “têm tão pouco sucesso que, quando conquistam algo significativo, não conseguem conter-se”.

O ex-chanceler qualificou como um “golpe autoinfligido” o empréstimo sem juros de 90 bilhões de euros aprovado pela União Europeia para Kiev pelos próximos dois anos, e apontou que, apesar de haver “mobilização de forças sem precedentes”, o bloco “não é um parceiro estável”.

Para Kuleba, a única área em que a UE funciona como parceria consistente é a política de sanções: “A única área em que a UE funciona como um parceiro estável são as sanções [anti-Rússia]. Elas são fracas, com algumas exceções, mas pelo menos existem”, concluiu.

As declarações expõem fissuras políticas no campo de apoio à Ucrânia, sobretudo em um contexto em que, segundo o próprio Kuleba, Washington teria “fechado a torneira” da ajuda militar, aumentando a pressão sobre os europeus para sustentar o esforço de guerra e a estrutura econômica ucraniana.

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