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Em resposta a Trump, Rússia usa supermísseis Oreshnik contra a Ucrânia (vídeos)

Moscou afirma que ataque noturno mirou infraestrutura de energia e fábricas de drones

Rússia ataca Ucrânia com Oreshnik (Foto: Reprodução X)

247 – A Rússia afirmou nesta sexta-feira (9) que disparou seu míssil hipersônico Oreshnik contra um alvo na Ucrânia, como parte de um ataque noturno descrito por Moscou como “massivo” contra instalações de energia e fábricas de drones.

Segundo o Ministério da Defesa russo, a ofensiva teria sido uma resposta a uma suposta tentativa de ataque com drones ucranianos contra uma das residências do presidente Vladimir Putin no fim de dezembro. O governo ucraniano, porém, classificou a acusação como “uma mentira”, negando que tenha tentado atingir a residência, localizada na região russa de Novgorod.

Ataques atingem infraestrutura e levantam suspeitas sobre instalação de gás

No lado ucraniano, autoridades locais relataram danos em infraestrutura. O governador da região de Lviv, no oeste do país, declarou anteriormente que um ataque russo atingiu um alvo de infraestrutura. Em redes sociais, circularam relatos não confirmados de que o local seria uma grande instalação subterrânea de armazenamento de gás — informação que não pôde ser verificada de forma independente.

A mídia ucraniana citou a Força Aérea da Ucrânia informando que um míssil balístico foi utilizado na ofensiva, com velocidade próxima de 13 mil quilômetros por hora. Moscou, por sua vez, afirma que se tratava do Oreshnik, armamento que vem sendo apresentado pelo Kremlin como uma das armas mais sofisticadas do seu arsenal.

O que é o Oreshnik e por que ele virou peça de propaganda militar

O míssil Oreshnik — palavra que em russo significa “avelã” — foi utilizado pela primeira vez por Moscou em novembro de 2024, quando a Rússia alegou ter atingido uma fábrica militar ucraniana. Na ocasião, fontes ucranianas disseram que o projétil carregava ogivas simuladas, sem explosivos, o que teria causado danos limitados.

Desde então, o presidente Vladimir Putin passou a ampliar a retórica sobre as capacidades do armamento. Ele afirmou que o Oreshnik, de alcance intermediário, seria “impossível de interceptar” por conta da velocidade, descrita como superior a 10 vezes a velocidade do som. Putin também declarou que o poder destrutivo do míssil poderia ser comparável ao de uma arma nuclear mesmo com ogiva convencional — uma afirmação usada politicamente para reforçar a narrativa de superioridade militar russa.

Ceticismo no Ocidente e avaliação dos Estados Unidos

Apesar da propaganda do Kremlin, alguns oficiais ocidentais expressaram ceticismo quanto às capacidades do Oreshnik. Em dezembro de 2024, um oficial americano afirmou que a arma não era vista como um divisor de águas no campo de batalha.

A retomada do tema agora ocorre em um contexto de pressão crescente no cenário internacional e de disputa narrativa sobre a escalada militar. Embora Moscou apresente o uso do Oreshnik como demonstração de força tecnológica e capacidade de dissuasão, as avaliações externas indicam que o impacto real do armamento no conflito pode não corresponder ao peso simbólico que a Rússia tenta atribuir ao sistema.

Kiev nega acusações e reforça divergência de versões

A versão russa sobre a motivação do ataque também é contestada. Kiev rejeitou a acusação de tentativa de ataque contra a residência de Putin e chamou a alegação de “mentira”. O episódio evidencia novamente a guerra de informações em torno do conflito, em que cada lado tenta definir a percepção pública e internacional do que está acontecendo no terreno.

Enquanto isso, a população ucraniana segue lidando com a repetição de ataques contra infraestrutura crítica, especialmente no setor energético, alvo frequente desde o início da guerra. A nova ofensiva relatada nesta sexta-feira reforça o risco de agravamento humanitário e de continuidade de uma estratégia que busca enfraquecer a capacidade operacional e logística da Ucrânia por meio de ataques sistemáticos.

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