Haddad adia saída da Fazenda e viaja com Lula à Índia
Ministro da Fazenda integra comitiva presidencial em fevereiro e mantém indefinição sobre futuro político
247 - O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, adiou sua saída do comando da equipe econômica do governo federal para integrar a comitiva presidencial do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em uma viagem oficial à Índia, prevista para fevereiro. Com a agenda internacional, o afastamento do ministro, inicialmente anunciado para o fim de janeiro, deve ocorrer apenas ao final do próximo mês. Segundo o Metrópoles, os compromissos em Nova Delhi estão marcados para os dias 19 e 20 de fevereiro, logo após o Carnaval.
Saída adiada e futuro político indefinido
Haddad havia confirmado que deixaria o governo até o fim de janeiro por “questões pessoais”. No entanto, a inclusão de seu nome na agenda internacional fez com que a decisão fosse postergada. Atualmente, o ministro é apontado como um dos principais quadros do PT para disputar o governo de São Paulo ou uma vaga no Senado pelo estado.
Apesar das especulações, Haddad tem demonstrado resistência em retornar à disputa eleitoral. O ministro tem afirmado que pretende se afastar da linha de frente da vida pública e atuar nos bastidores da campanha de Lula, embora tenha ressaltado, na semana passada, que ainda não há uma decisão tomada sobre seu futuro político.
As pressões internas do PT e do próprio presidente da República, que busca convencê-lo a disputar as eleições de outubro, podem levá-lo a rever seus planos. Haddad tem relatado que mantém conversas frequentes com Lula sobre o tema.
Missão presidencial e agenda estratégica na Índia
Na capital indiana, a comitiva brasileira participará de um seminário sobre inteligência artificial, além dos compromissos oficiais da visita de Estado do presidente Lula. A viagem faz parte de uma estratégia do governo brasileiro para aprofundar os vínculos econômicos com a Índia e ampliar o acesso de produtos nacionais ao mercado local.
Nos últimos meses, o Planalto intensificou negociações com o país asiático como forma de diversificar parceiros comerciais e reduzir a dependência de mercados tradicionais. Esse movimento ocorre após a imposição de tarifas dos Estados Unidos ao Brasil, o que reforçou a necessidade de ampliar alternativas no comércio exterior.
Como parte dessa estratégia, o vice-presidente Geraldo Alckmin liderou, em outubro, uma missão a Nova Delhi voltada ao aumento do fluxo de comércio e investimentos entre os dois países. Após os compromissos na Índia, o presidente Lula seguirá para Seul, na Coreia do Sul, onde terá agenda bilateral focada na abertura de mercados, com destaque para a exportação de carne brasileira.


