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"Importante não é se vencedor será de direita ou esquerda, mas se manterá políticas pró-mercado" afirma Esteves

Presidente do conselho do BTG Pactual prevê eleição polarizada entre Lula e Flávio Bolsonaro

"Importante não é se vencedor será de direita ou esquerda, mas se manterá políticas pró-mercado" afirma Esteves (Foto: REUTERS/Tuane Fernandes)

247 - A eleição presidencial no Brasil deve ocorrer em cenário de forte polarização, com disputa entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL). A avaliação foi feita por André Esteves, presidente do conselho de administração do BTG Pactual, que afirmou que o principal ponto de atenção para investidores é a continuidade de políticas econômicas pró-mercado.

As declarações foram feitas nesta quinta-feira (23), durante o evento Latam Focus 2026, realizado no Chile, segundo reportagem do Valor Econômico. O executivo afirmou que o resultado do pleito é incerto, mas indicou expectativa de equilíbrio entre os candidatos.

“Estamos caminhando no Brasil para uma eleição 50/50. Temos dois candidatos, o filho do ex-presidente Bolsonaro, Flávio, que é um político experiente, ele não apareceu do nada, é senador, um cara com bom-senso; e o presidente Lula, que foi protagonista nas últimas dez eleições no Brasil, que mesmo sendo de centro-esquerda, é um líder amigável ao mercado”, disse.

Esteves afirmou que a orientação ideológica do vencedor não é o fator central para o mercado. “É difícil prever o vencedor [...] mas eu não me importo muito se é esquerda ou direita, desde que o vencedor seja a decisão econômica racional. A racionalidade não pertence à direita ou à esquerda, é mais sobre ser racional contra ser populista. A região [América Latina] tem tomado boas escolhas”, declarou.

Durante o evento, o executivo também afirmou que há mudança no fluxo global de investimentos, com redução da concentração nos Estados Unidos e maior direcionamento para mercados emergentes, incluindo países da América Latina e o Brasil.

Segundo ele, mesmo após valorização recente, os ativos latino-americanos continuam com avaliação considerada atrativa em comparação ao mercado norte-americano. Como exemplo, citou a diferença entre o BTG Pactual e a gestora americana Blackstone.

“No começo de 2025, o BTG era negociado a um múltiplo 8 vezes o preço/lucro, e a Blackstone a um múltiplo de 35 vezes. O valor de mercado deles era dez vezes o nosso, apesar de o lucro ser apenas o dobro do nosso. Eu estou bem de ter o CEP errado [a sede do BTG ser no Brasil], mas era uma diferença exagerada. Agora as coisas se corrigiram um pouco, a Blackstone é negociada a 25 vezes e o BTG a 11 vezes, depois de nossa ação ter subido mais de 100%”, afirmou.

O evento também contou com a participação do presidente do Chile, José Antônio Kast, que mencionou a aprovação de um projeto de reconstrução nacional e desenvolvimento econômico e social a ser enviado ao Congresso.

“Queremos que seja conversado, não que se fechem ao debate mesmo antes de iniciar o processo. [...] Não estamos falando de um projeto ideológico, mas de como transformar, recuperar nossa pátria”, disse.

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