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‘Fragmentação de candidaturas na direita pode deixar Lula nas cordas’, alerta Vinícius Casalino

Professor da USP avalia impactos da disputa e alerta para estratégias contra o petista

Flávio Bolsonaro, Ronaldo Caiado, Romeu Zema e Lula (Foto: Ricardo Stuckert / PR I Agência Senado I Brasil 247 I Dirceu Aurélio / Imprensa MG )

247 - A fragmentação de candidaturas no campo conservador pode gerar pressão sobre o presidente Lula ao longo da disputa eleitoral, segundo análise do professor de Direito da Universidade de São Paulo (USP), Vinícius Casalino, durante entrevista nesta semana ao programa Giro das Onze, da TV 247. A avaliação considera o cenário político atual e as possíveis estratégias adotadas pelos adversários.

O analista destacou que a existência de uma única pré-candidatura consolidada no campo progressista pode favorecer a esquerda. Ao mesmo tempo, ele alertou que a multiplicidade de nomes na direita abre espaço para ações coordenadas contra Lula. “Essa fragmentação da extrema direita permite também que eles produzam estratégias que podem colocar Lula nas cordas”, afirmou.

O professor citou como exemplo a dinâmica dos debates no primeiro turno e levantou a hipótese de articulação entre candidatos. “uma coalizão para fustigar Lula”, disse. Em seguida, reforçou: “essa multiplicidade da extrema direita pode fortalecer (os opositores do PT). Vamos pensar estratégias de resistência”.

Relação com Donald Trump

Durante a entrevista, Casalino também abordou a relação política entre Lula e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que mantém apoio à família Bolsonaro. Segundo o analista, o presidente brasileiro adota uma estratégia calculada.

“Lula tenta dizer: ‘enfrento Trump enquanto Bolsonaro adere a Trump’ Ë movimentação inteligente sob o ponto de vista político, mas precisa ser calibrada, pois não é muito interessante chamar atenção de Trump. Quanto mais ele nos deixar em paz, melhor para a nossa vida econômica”, avaliou.

Preocupações com o TSE

O professor também demonstrou preocupação com a atuação futura do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), sob comando dos ministros Kássio Nunes Marques e André Mendonça, indicados por Jair Bolsonaro (PL).

“Me preocupo com Kassio e Mendonça porque “são homens do Bolsonaro”. Significa que eles vão tumultuar o processo eleitoral? Não. Mas, se tivermos um momento decisivo da eleição e se a competição foi muito acirrada, e forem necessárias ações no TSE para assegurar a legitimidade, tenho dúvida se tanto Kássio quanto Mendonca desempenhariam o papel necessário para assegurar a vantagem popular”, afirmou.

Ele acrescentou: “não estou dizendo que (os dois ministros) farão ilegalidade, mas, por omissão, é possível que o TSE viabilize práticas que a extrema direita costuma fazer”.

Peso do eleitorado feminino

Casalino ainda destacou a importância do eleitorado feminino no desfecho eleitoral e defendeu maior atenção do governo às demandas desse segmento. “Elas é que vão definir no final do jogo a vitória do presidente Lula”, disse.

O professor citou pesquisas recentes para sustentar sua avaliação. “Pesquisas estão demonstrando que existe um sentimento do eleitorado que está fechado com Lula, mas está se sentindo desprestigiado. A equipe está devendo concentração de atenção nas reivindicações das mulheres”, ressaltou.

O cenário analisado pelo especialista aponta para uma disputa marcada por estratégias múltiplas, articulações políticas e desafios institucionais que podem influenciar o resultado eleitoral.

Datafolha

Levantamento do Datafolha, divulgado no dia 11, aponta o presidente Lula na frente da disputa com 39% das intenções de voto, enquanto Flávio Bolsonaro aparece logo atrás, com 35%.Na sequência, outros nomes surgem com percentuais menores. O ex-governador de Goiás Ronaldo Caiado (PSD) registra 5%, e o ex-governador de Minas Gerais Romeu Zema (Novo) soma 4%.

Entre os demais pré-candidatos, Renan Santos (Missão) atinge 2%. Aldo Rebelo (DC) marca 1%, mesmo percentual de Cabo Daciolo (Mobiliza).O levantamento também indica que 10% dos entrevistados optam por voto em branco ou nulo. Outros 4% afirmam que ainda não sabem em quem votar.

Foram entrevistados 2.004 eleitores em 137 municípios brasileiros, entre os dias 7 e 9 de abril, com registro no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o número BR-03770/2026.

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