Instituto Marielle Franco destina R$ 100 mil à cultura periférica
Edital selecionará 10 projetos culturais com recursos de até R$ 10 mil
247 - O Fundo Marielle Franco destinará R$ 100 mil para apoiar projetos culturais em territórios periféricos de todo o Brasil, com a seleção de 10 iniciativas voltadas à promoção da democracia, da memória e dos direitos humanos. Os projetos escolhidos receberão aportes de até R$ 10 mil e deverão ser executados ao longo de 2026.
A iniciativa foi anunciada nesta quarta-feira (1l) pelo Instituto Marielle Franco, responsável pela criação do edital. Segundo a organização, as inscrições estarão abertas entre 1 e 10 de abril de 2026 e poderão participar pessoas físicas e jurídicas de todo o país, com prioridade para mulheres negras e pessoas LGBTQIAP+ periféricas.
Inscrições abertas em abril
O processo seletivo prevê a escolha de 10 projetos culturais, com valores de R$ 5 mil ou R$ 10 mil. As propostas devem dialogar com três eixos principais: fortalecimento da democracia, acesso à justiça e preservação da memória.
Entre as ações possíveis estão rodas de rima, intervenções urbanas, teatro, cineclubes, exposições e publicações comunitárias. O resultado será divulgado no dia 20 de abril, e as atividades terão início em junho, com execução prevista até dezembro de 2026.
Apoio vai além do financiamento
Além do repasse financeiro, o fundo inclui formação política e cultural para os selecionados. Os participantes terão acesso a capacitações em direitos culturais e democracia, em parceria com instituições como a People’s Palace Projects, da Queen Mary University of London, e a Fundação Getulio Vargas (FGV). Ao final do processo, as experiências serão reunidas em um documento com recomendações voltadas à formulação de políticas públicas na área cultural.
Cultura como motor de transformação
O Instituto Marielle Franco destaca que a iniciativa reconhece o papel da cultura produzida nas periferias como ferramenta de mobilização social e transformação política. A organização já promove ações que articulam arte, memória e direitos humanos, como o Festival Justiça por Marielle e Anderson, realizado em espaços públicos do Rio de Janeiro.
O lançamento do fundo ocorre em um momento de avanços na busca por justiça no caso de Marielle Franco e Anderson Gomes, com a responsabilização dos executores e o julgamento dos mandantes.
Declaração reforça papel das periferias
A diretora executiva do Instituto Marielle Franco, Luyara Franco, destacou a importância do novo edital. “Fortalecer a cultura nos territórios é fortalecer quem já está construindo respostas coletivas para os desafios do nosso tempo. O Fundo Marielle Franco surge, nesta primeira edição, para apoiar essas iniciativas, reconhecendo que é nas periferias que emergem práticas capazes de transformar realidades, disputar narrativas e aprofundar a democracia no Brasil”, afirmou.


