HOME > Brasil

Itamaraty convoca diplomata de Israel após vídeo de ativistas amarrados

Governo brasileiro exige explicações após imagens de integrantes de flotilha detidos por Israel, incluindo quatro brasileiros

Itamaraty convoca diplomata de Israel após vídeo de ativistas amarrados (Foto: Reprodução/X)
Selo Fonte Preferida no Google do Brasil 247

247 - O Itamaraty convocou a chefe da embaixada de Israel no Brasil, Rasha Athamni, para cobrar explicações sobre um vídeo que mostra ativistas estrangeiros com as mãos amarradas e a testa apoiada no chão após a interceptação de uma flotilha que seguia para a Faixa de Gaza. Quatro brasileiros estavam entre os integrantes do grupo detido por forças israelenses no mar Mediterrâneo.

As informações são da Folha de S.Paulo. A gravação foi divulgada pelo ministro da Segurança Nacional de Israel, o extremista Itamar Ben-Gvir, e gerou forte reação internacional diante do tratamento imposto aos ativistas. A publicação ampliou a pressão diplomática sobre o governo de Binyamin Netanyahu, em meio à crise nas relações com o Brasil.

Rasha Athamni comanda a representação israelense em Brasília desde outubro de 2025, na condição de encarregada de negócios. Israel está sem embaixador no Brasil desde o fim da missão de Daniel Zonshine. Tel Aviv indicou o diplomata Gali Dagan para o posto, mas ele não recebeu o aval do Palácio do Planalto. O Brasil também não mantém embaixador em Tel Aviv desde o início de 2024.

Na linguagem diplomática, a convocação de um chefe de missão ao Ministério das Relações Exteriores representa uma reprimenda formal e sinaliza descontentamento com a condução de temas bilaterais. No caso atual, o governo brasileiro reagiu tanto à interceptação da flotilha quanto às condições de detenção dos participantes.

Em nota, o Itamaraty classificou como degradante o tratamento mostrado no vídeo e cobrou a libertação dos ativistas. “Ao reiterar seu repúdio à interceptação, em águas internacionais, das embarcações integrantes da flotilha e à detenção de seus participantes — ambas ações ilegais —, o Brasil demanda libertação imediata de todos os ativistas detidos, incluindo de quatro cidadãos brasileiros, assim como pleno respeito a seus direitos e a sua dignidade, em linha com os compromissos internacionais assumidos pelo Estado de Israel, a exemplo da Convenção contra a Tortura e Outros Tratamentos ou Penas Cruéis, Desumanos ou Degradantes”.

Na quinta-feira (21), o governo israelense anunciou que deportou todos os ativistas estrangeiros que integravam a flotilha. Ao todo, cerca de 430 pessoas foram retiradas das embarcações e permaneceram detidas em Israel antes da deportação.

Os quatro brasileiros que faziam parte da flotilha são Beatriz Moreira, militante do Movimento de Atingidos por Barragens; Ariadne Teles, advogada de direitos humanos e coordenadora da Global Sumud Brasil; Thainara Rogério, desenvolvedora de software; e Cássio Pelegrini, médico pediatra.

A divulgação das imagens também provocou reações em outros países. O Reino Unido convocou o encarregado de negócios de Israel para prestar esclarecimentos. Na Polônia, o chanceler Radoslaw Sikorski defendeu que Ben-Gvir seja proibido de entrar no país. Já o ministro das Relações Exteriores da Itália, Antonio Tajani, afirmou que a União Europeia deveria discutir sanções contra o ministro israelense.

Até aliados de Israel criticaram o episódio. O embaixador dos Estados Unidos, Mike Huckabee, afirmou que, embora considerasse a flotilha uma “ação estúpida”, Ben-Gvir “traiu a dignidade” de Israel pela forma como lidou com os ativistas. França, Bélgica, Canadá, Coreia do Sul, Espanha, Irlanda e Turquia também condenaram o tratamento dispensado aos detidos.

Artigos Relacionados