Jaques Wagner é suspeito de favorecer Emenda Master
Operação Compliance Zero apura possível favorecimento a interesses do Banco Master e suspeitas de vantagens indevidas ao senador
247 - O líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA), está entre os principais alvos da nona fase da Operação Compliance Zero, deflagrada pela Polícia Federal na manhã desta quinta-feira (18). Segundo o Metrópoles, Wagner é suspeito de atuar a favor da chamada Emenda Master.
Segundo as apurações da Polícia Federal, os investigadores buscam esclarecer se Wagner teria atuado em defesa de propostas de interesse do Banco Master no Congresso Nacional. Entre os temas sob análise estão uma medida para ampliar o crédito consignado e uma iniciativa que ficou conhecida nos bastidores como “Emenda Master”.
As suspeitas surgiram após a análise de mensagens encontradas no celular do empresário Augusto Ferreira Lima, conhecido como Guga Lima, ex-sócio de Daniel Vorcaro e também alvo da operação realizada nesta quinta-feira. A PF investiga se houve contrapartidas ao suposto apoio político, incluindo benefícios que teriam sido concedidos ao senador.
De acordo com os investigadores, entre as vantagens sob apuração estão o uso de aeronaves particulares, ingressos para eventos, um apartamento e transferências financeiras que somariam cerca de R$ 3,5 milhões. A investigação também aponta que parte desses recursos teria sido movimentada por meio de uma empresa ligada a familiares do parlamentar, estrutura que, segundo a linha investigativa da PF, poderia ter sido utilizada para ocultar a origem dos valores.
Empresa ligada à família entrou na mira da investigação
A investigação também analisa a relação entre o Banco Master e uma empresa vinculada à família do senador. Em março deste ano, o Metrópoles revelou que a BK Financeira, empresa da qual Bonnie de Bonilha — nora de Wagner — é sócia, mantinha contrato com o banco para prospecção de operações de crédito consignado.
Bonnie é casada com Eduardo Sodré, secretário de Meio Ambiente da Bahia e enteado do senador. A empresa foi criada em 2021 e tem como sócio o advogado Moisés Dantas.
Ao comentar o caso ao Metrópoles, Dantas afirmou: “Somos sócios desde 2022, e o serviço prestado não foi de consultoria, mas de prospecção e indicação, em caráter de exclusividade, de operações e convênios de crédito consignado, modalidade existente em todo o Brasil”.
Ele também declarou que: “Todos os valores recebidos foram formalizados por meio de nota fiscal, e balanços e extratos estão à disposição das autoridades”.
Na ocasião, Jaques Wagner negou qualquer participação nas atividades da empresa e declarou que “jamais participou de qualquer intermediação ou negociação em favor da empresa citada”, acrescentando que cabe à própria companhia prestar esclarecimentos sobre seus contratos e operações.
Privatização da Cesta do Povo também é analisada
Outro ponto investigado envolve a privatização da antiga rede de supermercados Cesta do Povo, administrada pelo governo da Bahia. O processo ocorreu entre 2017 e 2018, período em que Jaques Wagner ocupava a Secretaria de Desenvolvimento Econômico do estado.
Na licitação, Augusto Ferreira Lima venceu a disputa pela aquisição da estatal. Entre os ativos envolvidos estava o Cartão Cesta, programa voltado aos servidores públicos que posteriormente deu origem ao CredCesta, modalidade de crédito consignado que viria a se tornar uma das principais operações incorporadas pelo Banco Master.
Anos depois, Guga Lima passou a integrar a sociedade do então Banco Máxima, instituição que posteriormente foi rebatizada como Banco Master. A Polícia Federal agora analisa como ocorreu a incorporação do CredCesta ao banco e as circunstâncias da venda dos ativos relacionados ao programa.
Defesa de Jaques Wagner
O senador nega qualquer envolvimento com os fatos investigados e afirma estar tranquilo em relação às apurações. Segundo sua defesa, a venda da Cesta do Povo ocorreu de forma regular, transparente e trouxe benefícios aos cofres públicos da Bahia, uma vez que a empresa acumulava prejuízos significativos para o Estado.
Wagner também sustenta que não possui qualquer ligação política ou partidária com as irregularidades atribuídas ao Banco Master e que os fatos investigados não envolvem sua atuação institucional.



