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Jean Wyllys anuncia volta à política: "um outro Congresso é possível"

Ex-deputado diz que retorno busca combater retrocessos, violência e corrupção no Legislativo

Marcia Tiburi, Edinho Silva e Jean Wyllys (Foto: Reprodução/X/@jeanwyllys_real)

247 - O ex-deputado federal Jean Wyllys anunciou, na quarta-feira (11), que está de volta à política institucional. Em uma postagem nas redes sociais, ele afirmou ter vivido “dois meses de conflito e consumição internos” antes de aceitar o convite do movimento “Um outro Congresso é possível”, iniciativa que pretende renovar a representação parlamentar e enfrentar práticas que ele classifica como corrosivas dentro do Legislativo.

Na publicação, Jean Wyllys descreveu o período de reflexão como uma “luta árdua” consigo mesmo, marcada por recolhimento e pela necessidade de reconstruir sua vida após episódios de violência política. Segundo ele, enquanto se afastava do debate público, acompanhou o que chamou de degradação do Congresso Nacional diante da corrupção envolvendo as chamadas “emendas PIX”, criticando parlamentares que, em suas palavras, estariam alimentando “oligarquias e máfias” ao mesmo tempo em que iludem setores conservadores com “falsos discursos cristãos e patriotismo de araque”.

O ex-parlamentar também atacou figuras que, segundo ele, estariam fora do país “fugitivos da Justiça” e conspirando contra o Brasil em um momento de reconstrução nacional, em um recado aos deputados cassados Eduardo Bolsonaro e Alexandre Ramagem. Na postagem, Wyllys citou o contexto recente de instabilidade política e social, mencionando o impacto da pandemia e a tentativa de golpe ocorrida na Praça dos Três Poderes, que, segundo ele, quase resultou em um “banho de sangue” no país.

Em tom duro, Jean Wyllys afirmou que o atual cenário político estaria alimentando o avanço de comportamentos extremistas, intolerantes e violentos. “Gente fanática, ignorante, odiosa, racista, ressentida e enganada por ladrões que só se importam com eles mesmos”, escreveu, ao comentar o que considera uma manipulação política baseada em ressentimento social e desinformação.

Na mesma mensagem, ele apontou o que descreveu como contradições de parlamentares que, segundo ele, votam contra medidas voltadas aos trabalhadores e à população mais pobre. Entre os exemplos citados, mencionou pautas como a redução da jornada de trabalho, a gratuidade do gás de cozinha, o fortalecimento da saúde pública e a melhoria da educação. Também afirmou que há políticos que se escondem “atrás da Bíblia” para justificar a submissão e a violência contra mulheres, sobretudo as mais pobres.

Ao mencionar a política internacional, Wyllys fez ataques diretos ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, a quem chamou de “pedófilo e mafioso”, criticando apoiadores brasileiros que, segundo ele, adotam símbolos de alinhamento com o líder norte-americano.

O ex-deputado também listou uma série de problemas sociais que, segundo ele, exigem resposta urgente do Estado e do Congresso. Entre eles, destacou o aumento de casos de racismo e feminicídio, além das demandas de povos indígenas e quilombolas. Ele afirmou ainda que artistas de diversas áreas estariam lutando para garantir dignidade e continuidade de seus trabalhos por meio de políticas públicas com orçamento consistente.

Wyllys também mencionou a situação da comunidade LGBTQIA+, afirmando que o grupo voltou a enfrentar índices alarmantes de violência letal e precisa de maior representação nos espaços de poder. No texto, ele levantou questionamentos sobre políticas para a ciência e saúde pública, incluindo a pesquisa sobre o valor medicinal de drogas atualmente ilícitas no tratamento de doenças como câncer e Alzheimer.

Outra preocupação destacada foi a situação de trabalhadores de aplicativos. Ele questionou como garantir direitos básicos para motoristas e entregadores em casos de acidentes e como conscientizar trabalhadores pobres sobre o que chamou de defesa equivocada de “bilionários parasitas” que estariam “destruindo o futuro do planeta”.

A agenda ambiental também apareceu como ponto central da reflexão. Jean Wyllys defendeu uma política sustentável que possa reduzir danos causados por chuvas e secas, além de abordar o combate à xenofobia e ao racismo contra comunidades imigrantes e descendentes de povos judaico, libanês, chinês, japonês, senegalês e árabe que vivem no Brasil.

Ao final do texto, ele disse ter decidido voltar à política institucional para enfrentar essas questões “dentro das instituições”, lembrando seus dois mandatos anteriores. “Sim, é possível. Sim, um outro Congresso é possível. Eu sou uma das provas vivas disso!”, escreveu.

Jean Wyllys também agradeceu ao movimento que o convidou e ao Partido dos Trabalhadores pela acolhida. “Obrigado, movimento ‘Um outro Congresso é Possível’, pela retaguarda, e obrigado, PT, pela acolhida. Vamos lá fazer o que será!”, concluiu.