Juiz vê indícios de desvios bilionários no Banco Master e trava bens de Vorcaro
Decisão da Justiça de SP bloqueia transferências de patrimônio ligado a Daniel Vorcaro diante de suspeitas de uso de fundos e laranjas
247 - A Justiça de São Paulo determinou a suspensão da transferência de bens ligados ao Banco Master e ao seu controlador, Daniel Vorcaro, após identificar indícios de desvios bilionários envolvendo recursos da instituição. A decisão liminar foi concedida pela 3ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais na terça-feira (17) e busca evitar a dissipação de patrimônio em meio às investigações, informa a Folha de São Paulo.
Segundo o processo, o juiz Adler Batista Oliveira Nobre reconheceu sinais de que recursos do banco teriam sido direcionados a fundos de investimento e à aquisição de bens de luxo em nome de pessoas próximas ao ex-controlador. A medida atende a um pedido da EFB Regimes Especiais, responsável pela liquidação do Banco Master, que aponta a existência de esquemas estruturados de desvio de recursos.
De acordo com a ação, diversos fundos foram utilizados como canais financeiros para movimentação dos valores, entre eles Astralo 95, Termopilas e Galo Forte. Também foram incluídos como réus empresas e pessoas físicas associadas ao caso, como a Super Empreendimentos — investigada pela Polícia Federal —, além de familiares e ex-sócios de Vorcaro.
A decisão judicial determina o registro do protesto em juntas comerciais, cartórios de imóveis e na Comissão de Valores Mobiliários (CVM). O objetivo é alertar possíveis interessados sobre a disputa judicial envolvendo esses ativos, evitando que terceiros aleguem desconhecimento ou boa-fé em eventuais aquisições.
As investigações indicam que fundos controlados pelo Banco Master realizaram transferências milionárias sem justificativa econômica clara. Um dos exemplos citados aponta o envio de R$ 285,8 milhões do fundo Máxima 2 para o fundo Astralo 95 pouco antes da liquidação da instituição, decretada pelo Banco Central em novembro do ano passado.
Advogados do liquidante afirmam que Daniel Vorcaro obteve “ganhos de capital exorbitantes em transações cruzadas”. Ainda segundo o processo, “os recursos supostamente desviados teriam sido empregados na aquisição de bens de luxo para uso pessoal do ex-controlador e de terceiros relacionados”, incluindo uma mansão no Distrito Federal e imóveis de alto padrão em São Paulo.
O magistrado também destacou sinais de rápida dispersão do patrimônio após a intervenção no banco. “A não concessão da medida liminar neste momento processual potencializa o risco de dilapidação irreversível do patrimônio que, em tese, deveria compor o acervo para satisfação da coletividade de credores lesados”, afirmou o juiz na decisão.
A ordem judicial tem alcance nacional e inclui cartórios de registro de imóveis fora de São Paulo, como no Distrito Federal e em Minas Gerais, onde estão sediadas empresas ligadas a Vorcaro e seus familiares. A defesa do empresário não se manifestou até o momento.
Com base na decisão, o liquidante deve avançar com ações judiciais para tentar recuperar os valores supostamente desviados, que podem ter sido convertidos em patrimônio de alto valor registrado em nome de empresas e fundos ligados ao grupo.


