Julgamento do caso Marielle pode reduzir tensão no STF, avaliam ministros
Processo sobre assassinato de Marielle Franco e Anderson Gomes é visto por ministros como chance de recompor imagem da Corte
247 -O julgamento do assassinato da vereadora Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes começa nesta terça-feira (24) na Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) e deve concentrar as atenções do país sobre a Corte. Nos bastidores, ministros avaliam que a análise do caso, que tem amplo respaldo da opinião pública, pode contribuir para amenizar o ambiente de tensão interna que atinge o tribunal. As informações são do G1.
Integrantes do STF consideram que o julgamento ocorre em um momento delicado, marcado por divergências internas relacionadas ao inquérito envolvendo o Banco Master, o que tem provocado desgaste entre magistrados.
A divisão no tribunal se intensificou após decisões tomadas no âmbito da investigação. O presidente da Unafisco, Kleber Cabral, criticou o Supremo pela adoção de medidas cautelares contra servidores ainda em fase preliminar de apuração, com a divulgação de seus nomes. O episódio ampliou o debate sobre os limites das decisões adotadas no curso do inquérito.
O cenário ficou ainda mais sensível depois que o ministro Dias Toffoli deixou a relatoria do caso. A mudança ocorreu após a Polícia Federal encaminhar relatório apontando contatos entre o magistrado e o banqueiro Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master. A situação levantou questionamentos sobre eventual conflito de interesses, aumentando o desgaste institucional.
De acordo com o relato do G1, ministros avaliam que a eventual abertura de investigação sobre uma suposta gravação de reuniões poderia aprofundar o mal-estar entre os integrantes da Corte, tornando a convivência interna ainda mais difícil nos próximos meses.
Nesse contexto, o julgamento do caso Marielle é percebido como um momento de convergência em torno de um tema de forte impacto social e simbólico. A expectativa é que a análise do processo possa recolocar o Supremo no centro de uma pauta de grande relevância nacional, em meio ao desafio de administrar tensões internas e preservar a estabilidade institucional do tribunal.


