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Lindbergh Farias critica editorial da Folha e afirma que governo Lula enfrentou caso Banco Master

Deputado diz que investigação só avançou após decisão do atual governo de não “abafar” o caso e permitir atuação da Polícia Federal

Lindbergh Farias (Foto: Kayo Magalhães / Câmara dos Deputados)

247 - O deputado federal Lindbergh Farias criticou o posicionamento editorial da Folha de S.Paulo sobre o caso envolvendo o Banco Master e afirmou que a investigação ganhou força apenas após a decisão do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva de enfrentar o problema sem acordos para silenciar o caso.

Em postagem no X, o parlamentar argumentou que a cobertura do jornal desconsidera o contexto político e institucional que levou à ampliação das apurações sobre a instituição financeira. Segundo ele, as investigações só avançaram quando houve, simultaneamente, uma decisão política de não interferir nas apurações e pressões dentro do próprio sistema financeiro para enfrentar a situação.

“Vamos falar a verdade, o que a Folha publica no editorial sobre o banco Master é espuma para tentar esconder o essencial. O caso só começa a explodir de verdade quando houve, ao mesmo tempo, decisão do governo Lula de enfrentar o tema sem pacto de silêncio, e decisão de setores centrais do sistema financeiro, ameaçados pela possibilidade de pagar via FGC a conta das aventuras de Daniel Vorcaro, de parar de empurrar o problema com a barriga”, afirmou.

O deputado também disse que, apesar de alertas anteriores sobre irregularidades, o episódio só ganhou maior repercussão quando começaram medidas concretas para lidar com o banco e permitir investigações sem restrições por parte da Polícia Federal.

“Apesar de todos os alertas anteriores, só virou ‘escândalo’ para parte da imprensa quando entraram em cena as medidas concretas no sentido de liquidar o banco e dar liberdade para a PF investigar o esquema sem qualquer tipo de restrição”, declarou.

Lindbergh acrescentou que o empresário Daniel Vorcaro teria construído, segundo ele, uma rede de proteção que incluía relações com setores da mídia e do mercado financeiro.“Até então, inclusive, Vorcaro criou uma rede de proteção tão grande que incluía também, dentre outros, patrocinar eventos da grande mídia corporativa brasileira”, disse.

O parlamentar também mencionou que entidades do setor bancário já vinham apontando problemas relacionados ao banco há algum tempo. Ele citou a atuação da Federação Brasileira de Bancos, que, segundo ele, teria feito alertas formais às autoridades monetárias.

“A Federação Brasileira de Bancos já denunciava os absurdos há muito tempo, inclusive diretamente ao Banco Central”, afirmou.

Na avaliação do deputado, a atuação do Banco Central do Brasil no caso também deveria ser analisada, especialmente no período em que a instituição era presidida por Roberto Campos Neto.

“E por que a liquidação do banco não ocorreu sob a presidência de Roberto Campos Neto, mesmo com tantos alertas, e só saiu com Galípolo? Não faltaram avisos. É por isso que impressiona tanto o cinismo da Folha”, declarou.

O deputado também questionou como o episódio teria sido tratado em governos anteriores, sugerindo que investigações poderiam não ter avançado no mesmo ritmo.“Essa investigação teria acontecido no governo Bolsonaro? A PF teria tido liberdade para investigar os envolvidos? O fato é que no governo anterior houve blindagem e omissão com as lambanças do Vorcaro e agora houve decisão de enfrentar o problema”, afirmou.

Por fim, Lindbergh disse que o editorial criticado ignora posicionamentos do ministro da Fazenda, Fernando Haddad, e o papel político do governo federal na condução do caso.

“A Folha também ignora deliberadamente os posicionamentos do ministro Haddad desde o início dos acontecimentos e apaga o dado político mais importante de todos? Tudo isso só aconteceu porque o presidente Lula nunca aceitou qualquer tipo de acordo para abafar a investigação”, disse.

Ele concluiu afirmando que, em sua avaliação, o avanço das apurações está diretamente relacionado à postura do atual governo diante do caso.

“Se a Folha estivesse comprometida com a verdade, diria o óbvio: o caso Master avançou porque há um governo que não compactuou com as lambanças de Vorcaro e decidiu investigar até o fim, doa a quem doer.”

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