Lindbergh pede que PGR investigue Campos Neto por "omissão dolosa" no caso Master
Deputado afirma que mensagens reveladas na Operação Compliance Zero indicam subordinação do Banco Central ao Master e anuncia notícia-crime à PGR
247 - O deputado federal Lindbergh Farias afirmou que apresentará uma notícia-crime à Procuradoria-Geral da República (PGR) para que o ex-presidente do Banco Central do Brasil, Roberto Campos Neto, seja investigado por “omissão dolosa” no caso envolvendo o Banco Master. A manifestação foi feita após a terceira fase da Operação Compliance Zero, que resultou na prisão do banqueiro Daniel Vorcaro.
Segundo Lindbergh, as informações divulgadas indicam fatos “extremamente graves” relacionados à atuação do grupo investigado. Em publicação nas redes sociais, o parlamentar declarou: “A terceira fase da Operação Compliance Zero, que prendeu hoje o dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, revelou fatos extremamente graves sobre a atuação da organização criminosa investigada. As mensagens encontradas no celular do banqueiro indicam a existência de uma espécie de milícia ultraviolenta organizada para intimidar e praticar violência contra jornalistas.”
Lindbergh relembrou que, à época da tentativa de compra do Banco Master pelo BRB, em abril do ano passado, já havia solicitado providências formais. “À época da tentativa de compra do Banco Master pelo BRB, em abril do ano passado, já havíamos apresentado pedido de apuração à Comissão de Ética da Presidência da República diante de indícios de irregularidades na compra do Master pelo BRB em abril de 2025”, afirmou.
Com a revelação de novas mensagens extraídas do celular de Vorcaro, Lindbergh sustenta que há elementos adicionais a serem apurados. Ele mencionou o envolvimento de Belline Santana e Paulo Sérgio Neves de Souza, apontados como chefe e adjunto do Departamento de Supervisão Bancária do Banco Central, que teriam mantido interlocução direta e frequente com o banqueiro. Para o deputado, o cenário “sugere subordinação da autarquia reguladora aos interesses do banco para favorecer as fraudes do Master”, o que, segundo ele, reforça “a necessidade de apurar o envolvimento pessoal de Roberto Campos Neto”.
Ao anunciar a medida, o parlamentar foi direto: “Por isso, estou apresentando uma notícia-crime à Procuradoria-Geral da República para investigar o ex-presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, por omissão dolosa na fiscalização bancária e os indícios de que norma editada durante sua gestão teria facilitado fraudes praticadas pelo Banco Master.”
Prisões e decisão do STF
A prisão de Daniel Vorcaro foi determinada pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), no âmbito da terceira fase da Operação Compliance Zero. A decisão atendeu a pedido da Polícia Federal (PF). O magistrado assumiu a relatoria do caso em substituição a Dias Toffoli, que anteriormente havia decretado a prisão do banqueiro, mas depois a substituiu por medidas cautelares, como o uso de tornozeleira eletrônica.
De acordo com as investigações, Vorcaro manteria uma estrutura voltada à vigilância e intimidação de pessoas consideradas contrárias aos interesses do grupo financeiro. Em decisão, Mendonça apontou a existência de um grupo denominado “A Turma”, descrito como “estrutura utilizada para realizar atividades de monitoramento e coleta de informações de interesse do grupo investigado, bem como pela prática de atos de coação e intimidação de pessoas”.
Entre os alvos das conversas reveladas está o jornalista Lauro Jardim, do jornal O Globo, que declarou ser o destinatário das mensagens mencionadas na decisão. Em diálogos transcritos, Vorcaro afirma: “Tinha que colocar gente seguindo esse cara. Pra pegar tudo dele”, ao que o interlocutor responde: “Vou fazer isto.” Em outra troca, o banqueiro diz: “Quero mandar dar um pau nele. Quebrar todos os dentes. Num assalto”, recebendo como resposta: “Pode? Vou olhar isso”, e confirmando em seguida: “Sim.”
Na decisão, Mendonça registrou: “A partir de todos esses diálogos verifica-se a presença de fortes indícios de que Vorcaro determinou a Mourão que forjasse um assalto, ou simulasse cenário semelhante, para prejudicar violentamente o jornalista em questão e, a partir do episódio, calar a voz da imprensa que ousasse emitir opinião contrária aos seus interesses privados.”
As investigações apontam ainda para possíveis crimes contra o sistema financeiro nacional, corrupção ativa e passiva, organização criminosa, lavagem de dinheiro, violação de sigilo funcional, fraude processual e obstrução de justiça. O Fundo Garantidor de Crédito estima que os ressarcimentos a clientes prejudicados possam ultrapassar R$ 50 bilhões.
Diante desse contexto, Lindbergh sustenta que as revelações exigem apuração também no âmbito das responsabilidades administrativas e institucionais, motivo pelo qual decidiu acionar formalmente a PGR para que investigue a atuação de Campos Neto à frente do Banco Central durante o período mencionado.


