Lula acusa Flávio Bolsonaro de buscar apoio de Trump na eleição
Presidente diz a ministros que senador tenta interferência externa e defende soberania eleitoral; fala ocorre após discurso de Flávio na CPAC nos EUA
247 - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta terça-feira a ministros que vê uma tentativa do senador Flávio Bolsonaro de buscar apoio internacional, especialmente do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para influenciar as eleições brasileiras. As informações foram divulgadas inicialmente por veículos de imprensa e confirmadas por relatos de participantes da reunião ministerial no Palácio do Planalto.
Durante o encontro, Lula citou como exemplo a participação de Flávio na Conferência de Ação Política Conservadora, a CPAC, realizada nos Estados Unidos. Segundo o presidente, o movimento indicaria uma tentativa de internacionalizar a disputa eleitoral brasileira e atrair apoio político externo. O evento é um dos principais fóruns do conservadorismo global e reuniu lideranças alinhadas à direita, incluindo o senador brasileiro.
De acordo com relatos, Lula afirmou aos ministros que Flávio tentará fazer com que Trump peça votos para ele no pleito deste ano. O presidente também reforçou a necessidade de seus auxiliares defenderem publicamente a soberania nacional, enfatizando que o Brasil não pode aceitar qualquer tipo de interferência estrangeira em seu processo eleitoral.
Ainda segundo esses relatos, Lula avaliou que não faz sentido um candidato à Presidência recorrer a chefes de Estado de outros países em busca de apoio político. A preocupação com possíveis influências externas é compartilhada por aliados próximos do presidente.
No último sábado, ao discursar na CPAC, Flávio Bolsonaro fez um apelo direto à comunidade internacional. Em sua fala, o senador declarou: “Meu apelo aqui, não só aos Estados Unidos, mas a todo o mundo livre, é este: observem as eleições do Brasil com enorme atenção, entendam o nosso processo, monitorem a liberdade de expressão do nosso povo e apliquem pressão diplomática para que nossas instituições funcionem corretamente”.
A declaração ocorreu no contexto de sua participação no evento conservador, onde também apresentou posicionamentos políticos e críticas a pautas que classifica como “agenda woke” e “interesses das elites globais”.
Além das críticas ao adversário, Lula também comentou o cenário internacional e fez ressalvas à postura de Donald Trump em conflitos recentes no Oriente Médio. Segundo relatos, o presidente brasileiro afirmou que o líder americano “se acha dono do mundo” e avaliou que o atual momento global é o mais bélico desde o fim da Segunda Guerra Mundial.


