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Lula aposta no crescimento da parceria comercial com a Coreia do Sul

Presidente projeta alta no comércio bilateral e defende retomada de acordo entre Coreia do Sul e Mercosul

O presidente Lula na Coreia do Sul (Foto: Ricardo Stuckert)

247 - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que Brasil e Coreia do Sul vivem um momento favorável para aprofundar a cooperação em áreas estratégicas e ampliar o intercâmbio comercial. Em declaração à imprensa nesta terça-feira (24), em Seul, o chefe do Executivo destacou o potencial de crescimento da parceria bilateral e sinalizou a intenção de elevar o volume de negócios entre os dois países.

As informações foram divulgadas pelo site do Palácio do Planalto, que detalhou os compromissos da terceira visita de Lula à Coreia do Sul. Segundo a publicação, o presidente ressaltou a complementaridade entre as economias e defendeu o fortalecimento das relações em setores como tecnologia, transição energética e minerais críticos.

Durante a agenda na capital sul-coreana, Lula enfatizou as possibilidades de troca de experiências. “Nós temos muita necessidade de aprender com a Coreia do Sul, como a sofisticação tecnológica. E eles têm muitas coisas para aprender conosco, sobretudo na questão da política de transição energética, na discussão dos minerais críticos, das terras raras. Acho que essa parceria vai crescer muito”, declarou.

Atualmente, o intercâmbio comercial entre Brasil e Coreia do Sul gira em torno de US$ 11 bilhões. A Coreia do Sul é o quarto principal parceiro comercial do Brasil na Ásia. Para o presidente, o volume ainda é aquém do potencial das duas economias. “Nós temos hoje um comércio de 11 bilhões de dólares, que é muito pouco para os tamanhos do Brasil e da Coreia do Sul. Nós vamos fazer crescer esse número. E acho que vai crescer muito a relação comercial entre o Brasil e a Coreia do Sul”, afirmou.

A visita ocorreu a convite do presidente sul-coreano Lee Jae Myung. Lula explicou que a viagem também foi motivada pela afinidade política entre os dois líderes. “A minha vinda à Coreia do Sul se deve ao fato de haver um presidente eleito que tem uma história muito parecida com a minha. Nós nos encontramos pela primeira vez no Canadá, surgiu uma química entre nós dois, e eu falei que iria à Coreia”, relatou.

Além da declaração à imprensa, o presidente participou da cerimônia de encerramento do Fórum Empresarial Brasil-Coreia do Sul, em Seul. No encontro, foram firmados acordos nas áreas de agricultura, tecnologia, produção de medicamentos e ampliação do intercâmbio cultural e educacional.

Retomada de negociações com o Mercosul

Outro ponto abordado foi a intenção da Coreia do Sul de retomar as negociações para um acordo comercial com o Mercosul, suspensas desde 2021. Lula destacou a importância estratégica do entendimento em um cenário internacional marcado por debates sobre unilateralismo.

“Esse acordo estava parado desde 2021. Eu lembrei a ele [Lee Jae-Myung, presidente da Coreia do Sul] que era muito importante, neste instante em que se discute a volta do unilateralismo, voltarmos a discutir esse acordo. Ele se mostrou muito interessado. Vamos montar as comissões para começar a debater e, se tudo der certo, podemos concluir esses acordos este ano”, disse.

Agenda com Donald Trump 

Questionado sobre uma possível reunião com Donald Trump, presidente dos Estados Unidos, Lula informou que a pauta ainda está em elaboração e que pretende incluir o combate ao crime organizado como um dos temas centrais.

“Eu estou preparando um debate sobre a questão do combate ao crime organizado com o Trump. Ele sabe que, quando eu for aos Estados Unidos, eu vou levar junto comigo a Polícia Federal, a Receita Federal, o Ministério da Fazenda e o Ministério da Justiça e Segurança Pública. Vou mostrar que se ele quiser, de verdade, combater o crime organizado, o narcotráfico, o tráfico de armas, o Brasil será parceiro de primeira hora, porque nós temos expertise nisso com a nossa Polícia Federal”, afirmou.

O presidente acrescentou que há outros assuntos de interesse brasileiro e internacional na pauta. “Eu tenho uma pauta comprida com o presidente Trump, que é eminentemente de interesse do Brasil. Tem uma outra que é de interesse do multilateralismo. Tem uma outra que é de interesse da democracia, e isso eu vou conversar com ele. Agora, ele também tem a pauta dele para mim, e eu só posso aguardar a reunião”, declarou.

Próxima parada: Emirados Árabes Unidos

Encerrada a agenda em Seul, Lula segue para Abu Dhabi, capital dos Emirados Árabes Unidos, onde se reunirá com o presidente Mohammed bin Zayed Al Nahyan. O foco das conversas será o aprofundamento das relações comerciais e políticas entre os dois países.

“Eu vou discutir a relação comercial e política entre o Brasil e os Emirados Árabes. Eu acho que nós não estamos precisando de guerra, estamos precisando de paz. Estamos precisando de investimento e desenvolvimento, que é isso que vai fazer melhorar a vida do povo”, concluiu o presidente.

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