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Lula contesta taxação dos EUA contra o Brasil por suposto 'trabalho forçado'

“É lógico que temos defeitos, mas quero comparar os direitos dos trabalhadores americanos com os direitos dos brasileiros”, provocou o presidente

Luiz Inácio Lula da Silva (Foto: Ricardo Stuckert/PR)
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247 - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) contestou nesta quinta-feira (11), em Brasília, a taxação dos Estados Unidos contra o Brasil por suposto “trabalho forçado” e defendeu uma comparação entre os direitos trabalhistas brasileiros e norte-americanos, em reação a uma investigação do Escritório de Comércio dos Estados Unidos (USTR, na sigla em inglês). 

A declaração do presidente ocorreu durante visita ao Observatório Regional Amazônico (ORA), da Organização do Tratado de Cooperação Amazônica (OTCA), quando foram apresentados dados do Sistema de Detecção de Desmatamentos em Tempo Real (Deter), do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), sobre a redução do desmatamento na Amazônia e no Cerrado. 

Uma investigação dos EUA concluída no último dia 2 incluiu o Brasil entre 60 países acusados de falhar na proibição e fiscalização da importação de mercadorias produzidas com trabalho forçado. Como resposta, o governo dos Estados Unidos propôs tarifas adicionais de 12,5% sobre todos os produtos desses países. A decisão do USTR tem como base a Seção 301 da Lei de Comércio de 1974, após investigação iniciada em março deste ano.

De acordo com o relatório americano, a prática atribuída aos países investigados seria “irracional” e restringiria o comércio dos Estados Unidos ao criar concorrência considerada desleal para empresas e trabalhadores norte-americanos. Em relação ao Brasil, a investigação concluiu que o país teria falhado em impor e fiscalizar uma proibição de importação de bens produzidos com trabalho forçado.

O documento sustenta ainda que, embora o Brasil assuma compromissos contra o trabalho escravo em acordos de livre comércio e investimentos, o país ainda careceria de uma proibição legal efetiva capaz de impedir, na prática, a entrada dessas mercadorias em seu mercado interno.

Lula reagiu à acusação defendendo que o debate seja feito com base em comparação direta entre os dois países. “Temos que fazer uma comparação entre o mundo do trabalho nos Estados Unidos e o mundo do trabalho aqui do Brasil. É lógico que temos defeitos, mas quero comparar os direitos dos trabalhadores americanos com os direitos dos trabalhadores brasileiros. Quero comparar”, afirmou.

O presidente também criticou a postura dos Estados Unidos nas negociações com o Brasil. Para Lula, quando a negociação ocorre com uma parte que, segundo ele, não age com parâmetros adequados, torna-se necessário expor as diferenças entre os países.

“Porque quando a gente está negociando com alguém que não tem parâmetro para negociar, com alguém que não se comporta de forma civilizada para negociar, a gente vai ter que fazer comparação”, disse.

Lula afirmou que já tratou diretamente do tema com o presidente Donald Trump e reforçou que o Brasil não busca confronto militar ou hostilidade, mas uma disputa de narrativa para demonstrar a posição brasileira. “Eu tenho dito para todo mundo e já falei para o presidente Trump três vezes: ‘não adianta falar para mim que você tem o maior navio do mundo, que você tem os aviões mais rápidos do mundo. Eu não quero guerra com você. A minha guerra é narrativa, é provar que nós estamos certos e vocês estão errados’”, declarou.

Na sequência, o presidente disse respeitar o voto dos norte-americanos, mas afirmou que Trump não tem autoridade para impor decisões ao restante do mundo. “‘A minha guerra é provar que você foi eleito para ser presidente dos Estados Unidos — e eu respeito o voto do povo americano —, mas você não foi eleito para ser imperador do mundo, onde você pode dizer tudo que você quer e as pessoas ficarem quietas. Com o Brasil não é assim’”, afirmou Lula.

A medida proposta pelos Estados Unidos ainda passará por consulta pública antes de eventual implementação. O governo americano receberá comentários por escrito até o dia 6 de julho de 2026. No dia seguinte, 7 de julho, o USTR realizará audiências públicas para discutir as ações propostas.

Ao comentar a relação bilateral, Lula afirmou que o Brasil busca uma negociação baseada em respeito e equilíbrio. “A gente não quer briga. A gente quer respeito, igualdade, civilidade, comércio e desenvolvimento para os dois países”, disse.

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