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Lula deve se reunir com Macron durante cúpula de IA na Índia

Agenda inclui conversas sobre a reconstrução de Gaza, governança global e tensões comerciais com a União Europeia

Lula e Emmanuel Macron (Foto: Ricardo Stuckert / PR)

247 - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) deve se reunir com o presidente da França, Emmanuel Macron, na quinta-feira (19), em Nova Délhi, na Índia, à margem da cúpula internacional sobre inteligência artificial. A reunião, segundo a CNN Brasil, foi solicitada formalmente pelo líder francês, interessado em discutir uma série de temas estratégicos com o chefe de Estado brasileiro.

O encontro consta na agenda provisória de Lula, embora ainda não tenha sido confirmado oficialmente pelo governo brasileiro. De acordo com a prática adotada pela Presidência da República, compromissos bilaterais realizados paralelamente a eventos multilaterais costumam ser tratados com cautela, já que atrasos e imprevistos podem provocar mudanças na programação.

Encontro em Nova Délhi ainda não foi confirmado oficialmente

Apesar de integrar a programação preliminar, a reunião ainda depende de confirmação formal. O governo brasileiro, em geral, evita anunciar encontros desse tipo com antecedência justamente para não gerar ruídos diplomáticos caso haja alterações de horário ou cancelamentos de última hora.

Ainda assim, a expectativa é de que Lula e Macron tenham uma conversa extensa, dada a proximidade política entre os dois líderes e o histórico recente de diálogo em temas internacionais.

Multilateralismo e reforma da governança global na pauta

A agenda prevista para o encontro inclui temas bilaterais e discussões globais relacionadas à reforma do sistema internacional. Lula e Macron demonstram alinhamento em torno da defesa do multilateralismo e avaliam que o atual modelo de governança mundial precisa ser modernizado, diante das mudanças geopolíticas e do enfraquecimento de instituições multilaterais.

Segundo a CNN Brasil, ambos enxergam como prioritária a necessidade de fortalecer organismos internacionais e de ampliar mecanismos de cooperação global, especialmente em um cenário de aumento de conflitos e disputas comerciais.

Conselho da Paz de Trump gera desconfiança entre líderes

Outro ponto relevante que deve ser tratado é a proposta apresentada por Donald Trump, presidente dos Estados Unidos, para a criação de um Conselho da Paz. A iniciativa, conforme já aprovado pelo Conselho de Segurança da ONU, teria um mandato específico: concentrar esforços exclusivamente na reconstrução da Faixa de Gaza.

A proposta prevê que o órgão funcione por apenas dois anos, como parte de um processo de transição dentro do território palestino. Trump, porém, defende que o Conselho da Paz seja transformado em um colegiado permanente, com atuação voltada para a resolução de conflitos em diferentes regiões do mundo.

Esse ponto tem provocado preocupação entre lideranças internacionais, já que o mandato proposto se sobrepõe diretamente ao papel do Conselho de Segurança da ONU, responsável por decisões relacionadas à paz e segurança internacionais.

Lula e Macron foram convidados a integrar o novo conselho. O presidente francês já informou que não participará da iniciativa, justificando que a proposta cria conflito institucional entre os interesses do governo norte-americano e as atribuições da ONU. Lula ainda não anunciou oficialmente sua posição, mas, de acordo com a reportagem, também avalia a ideia com reservas.

Acordo Mercosul-União Europeia segue como principal divergência

Entre os temas que devem gerar maior tensão no diálogo está o recém-aprovado acordo de livre comércio entre o Mercosul e a União Europeia. Lula investiu forte capital político e diplomático ao longo do último ano para defender a aprovação do tratado e viabilizar sua concretização.

Macron, por outro lado, mantém oposição ao acordo e insiste que o texto precisa ser renegociado. A divergência representa hoje o principal ponto de atrito entre os dois governos, mesmo diante de convergências em outras áreas da política internacional.

Ainda assim, os dois líderes compartilham a avaliação de que o fortalecimento do multilateralismo e a reforma do sistema de governança global são urgentes, sobretudo diante de iniciativas que possam enfraquecer o papel das Nações Unidas.

Outros presidentes também pediram reuniões bilaterais com Lula

Além de Macron, a agenda internacional de Lula na Índia inclui pedidos de encontros bilaterais feitos por outros chefes de Estado. Segundo a CNN Brasil, os presidentes da Eslováquia, Peter Pellegrini, e da Sérvia, Aleksandar Vučić, também solicitaram reuniões com o presidente brasileiro durante a programação do evento.

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