Macron solicita reunião com Lula e encontro pode ocorrer na Índia
Presidentes participam de cúpula sobre inteligência artificial em Nova Déli
247 - O presidente da França, Emmanuel Macron, solicitou uma reunião bilateral com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) durante a passagem de ambos por Nova Déli, na Índia, onde participarão de uma cúpula internacional sobre inteligência artificial. O encontro pode ocorrer entre quarta-feira (18) e domingo (22), período da visita oficial à capital indiana, mas ainda não foi confirmado formalmente.
O pedido de reunião chegou ao Itamaraty por meio da Embaixada da França em Brasília. Na quinta-feira (12), a pasta informou a jornalistas que o governo brasileiro recebeu diversas solicitações de encontros bilaterais à margem do evento e que também encaminhou convites a outros chefes de Estado e de governo.
Lula e Macron viajam à Índia a convite do primeiro-ministro Narendra Modi para uma visita de Estado e para participar do fórum global dedicado à inteligência artificial. A conferência deve concentrar debates sobre regulamentação da tecnologia, soberania digital, segurança de dados e governança internacional do setor.
A expectativa é de que o encontro reúna líderes políticos, executivos de grandes empresas de tecnologia e representantes de organismos multilaterais, em meio à intensificação das discussões sobre a supervisão de plataformas digitais, a responsabilidade das big techs e os efeitos da IA na economia e na segurança internacional.
Caso se confirme, a reunião entre Lula e Macron dará continuidade à conversa telefônica realizada no fim de janeiro e retomará temas tratados durante a visita de Estado do presidente brasileiro à França, em junho do ano passado. Na ocasião, Macron declarou que o Brasil desempenha papel relevante nos esforços para o fim da guerra na Ucrânia.
O governo brasileiro tem sido alvo de pressões internacionais em razão da relação mantida com o presidente da Rússia, Vladimir Putin. No telefonema mais recente, Lula e Macron também abordaram a proposta do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de criação de um “Conselho da Paz”, fórum alternativo para tratar de conflitos internacionais fora da estrutura tradicional da Organização das Nações Unidas (ONU).
De acordo com nota do Palácio do Planalto, ambos defenderam a centralidade da ONU e de seu Conselho de Segurança como instâncias legítimas para mediação de crises e manutenção da paz. Também ressaltaram o respeito ao direito internacional e à Carta das Nações Unidas como fundamentos para qualquer iniciativa de resolução de conflitos. A França já recusou participar do novo fórum proposto por Trump, enquanto o Brasil ainda não formalizou resposta, embora Lula tenha indicado que não pretende aderir.
O possível encontro na Índia ocorre em meio a um momento decisivo nas negociações comerciais entre o Mercosul e a União Europeia. Em dezembro, após 26 anos de tratativas, foi assinado o acordo de livre-comércio entre os dois blocos, considerado o maior do gênero, abrangendo cerca de 722 milhões de consumidores e aproximadamente um quarto do Produto Interno Bruto global.
Para entrar em vigor, o tratado ainda depende de ratificação pelos parlamentos nacionais dos países envolvidos e pelo Parlamento Europeu. Na quarta-feira (21), o Parlamento Europeu aprovou o envio do texto ao Tribunal de Justiça da União Europeia para revisão jurídica, etapa que pode atrasar sua implementação.
O acordo enfrenta resistências, sobretudo na França, onde setores agrícolas e industriais pressionam o governo contra a ampliação do acesso de produtos sul-americanos ao mercado europeu. Macron tem defendido salvaguardas ambientais e garantias adicionais. Já Lula sustenta que o tratado é estratégico para os dois blocos e para o fortalecimento do multilateralismo e de um comércio internacional baseado em regras.


