Com a participação de Lula, Índia abre o maior evento global sobre inteligência artificial
India AI Impact Summit começou nesta segunda-feira em Nova Déli com foco em oportunidades, mas também nos riscos trazidos pela tecnologia
247 – A Índia abriu nesta segunda-feira, em Nova Déli, o maior evento global sobre inteligência artificial, o India AI Impact Summit, reunindo chefes de Estado, executivos das principais empresas de tecnologia do mundo e dezenas de delegações ministeriais.
Com a participação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, do presidente francês Emmanuel Macron e de líderes empresariais como Sam Altman, da OpenAI, e Sundar Pichai, da Alphabet (Google), a cúpula se consolida como uma vitrine geopolítica e tecnológica para Nova Déli. O objetivo é claro: posicionar a Índia como protagonista na governança global da inteligência artificial, ao mesmo tempo em que atrai investimentos bilionários para infraestrutura digital.
A voz do Sul Global na regulação da IA
O encontro ocorre em um momento estratégico para o país. O governo indiano busca “amplificar as vozes” do Sul Global no debate sobre regulação e uso social da inteligência artificial. A iniciativa combina ambição política e cálculo econômico: consolidar a Índia como destino prioritário para centros de dados, infraestrutura em nuvem e operações de treinamento e aplicação de sistemas de IA.
Apesar do avanço acelerado no setor, a Índia ainda não produziu um modelo de fronteira que rivalize diretamente com os principais sistemas desenvolvidos nos Estados Unidos ou na China. Ainda assim, o país vem subindo rapidamente nos rankings de competitividade em IA e se tornou um dos mercados mais relevantes para plataformas como o ChatGPT, impulsionado por sua população conectada e por um ecossistema vibrante de startups.
A estratégia oficial enfatiza o conceito de “inovação guiada por aplicações”, buscando adaptar a tecnologia a setores como agricultura, saúde, educação e serviços públicos, em vez de concentrar esforços apenas na corrida por modelos cada vez mais complexos e caros.
Uma vitrine global para um projeto de poder tecnológico
A presença de nomes centrais da indústria reforça o peso simbólico da cúpula. Entre os participantes destacados pela Reuters estão Sundar Pichai, CEO da Alphabet; Sam Altman, CEO da OpenAI; Dario Amodei, CEO da Anthropic; Mukesh Ambani, presidente da Reliance Industries; e Demis Hassabis, CEO do Google DeepMind.
Além dos executivos, cerca de 20 líderes nacionais participam do encontro, com destaque para Lula e Macron.
Infraestrutura bilionária e o boom da IA na Índia
A Índia vem atraindo investimentos significativos em infraestrutura digital, incluindo novos centros de dados e expansão de serviços em nuvem, num esforço para sustentar o crescimento do setor de inteligência artificial. O governo aposta que a combinação de mão de obra qualificada, mercado interno robusto e políticas públicas favoráveis pode transformar o país em um dos principais polos globais da tecnologia.
Entre oportunidades e temores
O avanço acelerado da inteligência artificial também desperta preocupações. O encontro ocorre em meio a temores crescentes sobre o impacto da tecnologia no emprego, especialmente em setores administrativos e de serviços. A automação impulsionada por sistemas generativos pode substituir tarefas repetitivas, exigindo requalificação em larga escala.
Há ainda o desafio regulatório. Governos enfrentam o dilema de estimular a inovação sem abrir espaço para abusos, desinformação, deepfakes e concentração excessiva de poder nas mãos de poucas empresas globais. Ao sediar a India AI Impact Summit, a Índia tenta demonstrar que países emergentes podem não apenas consumir tecnologia, mas influenciar as regras do jogo.
Com a presença do presidente Lula e de líderes de diferentes continentes, a cúpula em Nova Déli reforça a centralidade da inteligência artificial no debate internacional contemporâneo — não apenas como motor econômico, mas como tema decisivo para soberania digital, governança global e desenvolvimento inclusivo.




