HOME > Brasil

Lula diz que avanços sociais e econômicos ajudam a pacificar o país

Em entrevista, presidente defende isenção do IR, fim da escala 6x1 e pacto contra feminicídio

Lula diz que avanços sociais e econômicos ajudam a pacificar o país (Foto: Ricardo Stuckert/PR)

247 - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta quinta-feira (5) que o Brasil vive um momento de pacificação impulsionado por avanços econômicos e sociais obtidos desde 2023. Em entrevista ao UOL, concedida no Palácio do Planalto à jornalista Daniela Lima, Lula disse que os resultados do governo ajudam a reduzir tensões políticas e contribuem para fortalecer a democracia.

Ao comentar o cenário do país, Lula citou o aumento do salário mínimo, o crescimento da renda e a entrada de investimentos estrangeiros como sinais de fortalecimento econômico.

“É um país que tem o maior aumento do salário mínimo, o maior aumento da massa salarial, a menor inflação da história contínua em quatro anos da história. Um país que tem a Bolsa crescendo continuamente, que recebeu, só no mês de janeiro, R$ 26 bilhões de investimentos externos. Um país que tem a maior concentração de população economicamente ativa. Um país que é respeitado pela China, pelos Estados Unidos”.

Polarização política

Questionado sobre a divisão política no Brasil, Lula argumentou que esse tipo de disputa não é exclusividade do país nem do atual período. Ele lembrou que a polarização esteve presente em diferentes momentos da história nacional e apontou exemplos internacionais para sustentar a tese de que democracias costumam ser marcadas por disputas entre blocos.

“Sempre foi dividido. Você era jovem, criança, quando o Brasil foi dividido entre Arena e MDB”.

Na avaliação do presidente, a fragmentação partidária e a formação de alianças são fenômenos recorrentes.

“A Alemanha é dividida entre CDU e SPD. A Espanha é dividida entre dois partidos, os Estados Unidos são divididos entre Republicanos e Democratas, a França é dividida. Todo país é assim. Você tem muitos partidos políticos que se juntaram, um bloco contra outro”.

“Até junho sou presidente”

Lula afirmou que não trata as eleições de 2026 como prioridade no momento e disse que seu foco é cumprir o que foi prometido à população durante a campanha. Segundo ele, o governo está concentrado em realizar entregas e em percorrer o país para apresentar resultados do mandato.

“Até junho sou presidente da República e tenho que entregar tudo o que prometi. Vou viajar esse país entregando”.

O presidente também destacou que considera essencial consolidar a defesa da democracia e reforçar valores institucionais. Para Lula, é necessário que a sociedade compreenda a importância da verdade e do respeito às regras democráticas.

“O que quero é tentar criar uma consciência na cabeça do povo brasileiro de que a verdade precisa prevalecer. A verdade e o regime democrático”.

Ao mencionar metas pessoais, Lula afirmou que seu objetivo é garantir melhores condições de vida para a população e manter a estabilidade política do país.

“Eu dizia assim, em 2023: se eu terminar o mandato e o povo estiver tomando café, almoçando e jantando, eu já terei feito a obra da minha vida. Se eu conseguir manter o funcionamento do regime democrático, com pessoas democráticas governando o país, eu terei cumprido a segunda meta da minha vida: fortalecer a democracia e fortalecer o multilateralismo”.

Isenção do Imposto de Renda

Durante a entrevista, Lula também comentou a ampliação da isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil, além da redução da cobrança para rendas entre R$ 5 mil e R$ 7.350. Segundo o governo, a mudança passou a beneficiar mais de 15 milhões de pessoas desde sábado (1º).

O presidente afirmou que a medida representa uma transformação relevante no sistema tributário e que terá impacto direto no orçamento de trabalhadores, especialmente servidores da educação.

“A questão do Imposto de Renda é uma novidade extraordinária, porque é a primeira vez na história que quem ganha até R$ 5 mil não vai pagar. Uma professora que ganha R$ 5 mil vai ter um ganho de R$ 4,8 mil por ano. É como um 14º salário”.

Debate sobre o fim da escala 6x1

Outro tema abordado foi a discussão sobre o fim da escala 6x1. Lula disse que a jornada atual já não acompanha as transformações trazidas pelas novas tecnologias e pela produtividade. Para ele, a modernização do trabalho deve considerar a busca por mais tempo livre para estudo e vida familiar.

“Com os avanços tecnológicos que o Brasil teve, acha que é necessário as pessoas trabalharem na mesma jornada que trabalhavam há 40 anos?”.

Lula afirmou que mudanças de comportamento e expectativas da juventude reforçam a necessidade de debater o modelo atual.

“Um jovem, uma menina, não quer mais se levantar às 5h da manhã e ficar até 6h (da noite) dentro de uma fábrica pegando ônibus lotado. Quem viveu no mundo do trabalho como eu sabe que hoje a juventude e as mulheres querem mais tempo para estudar, para cuidar da família. Com o avanço tecnológico, a produção aumentou muito”.

O presidente reconheceu que o tema exigirá negociações amplas e disse que o governo pretende envolver Congresso, empresários e trabalhadores na discussão.

“Essa não é uma tarefa só do governo. O governo tem que estabelecer uma discussão com o Congresso. Vamos estabelecer discussão com o empresariado e com os trabalhadores e fazer aquilo que é possível. O dado concreto é que está na hora de a gente fazer uma mudança na jornada para que o povo tenha mais tempo de estudar, de pensar”.

Pacto contra o feminicídio

Lula também comentou o enfrentamento à violência contra mulheres e meninas e destacou a assinatura do Pacto Nacional Contra o Feminicídio, realizada na quarta-feira (4) com participação dos presidentes dos Três Poderes. Para ele, a iniciativa marca uma posição institucional do país no combate à violência de gênero.

“Ontem fizemos a assinatura do Pacto Contra o Feminicídio. Na minha opinião, foi um gesto histórico, que marca a posição do Brasil na luta em defesa da mulher”.

O presidente afirmou que decidiu assumir responsabilidade direta sobre o tema por considerar que a pauta deve envolver toda a sociedade, especialmente os homens.

“A minha ideia de assumir a responsabilidade pessoal enquanto presidente era porque a luta da mulher não é uma luta só da mulher”.

Lula afirmou que o pacto pretende ampliar a efetividade das leis existentes e criar mecanismos para tornar as normas mais aplicáveis no dia a dia. Segundo ele, o aumento da violência mesmo após a Lei Maria da Penha demonstrou a necessidade de maior articulação institucional.

“Depois da Lei Maria da Penha, aumentou a violência contra a mulher. Nós tomamos a decisão de envolver os Três Poderes para assumir responsabilidade”.

O presidente disse ainda que uma comissão foi criada com representantes do Executivo, Legislativo e Judiciário para formular propostas que reforcem a execução das leis já aprovadas.

“Foi criada uma comissão com representantes do Poder Executivo, do Legislativo e do Judiciário. Essas comissões vão começar a apresentar propostas sobre como a gente torna exequíveis as leis aprovadas”.

Artigos Relacionados