Lula reforça importância de obras de urbanização em áreas de risco
No Rio, presidente cobrou fiscalização popular sobre ações do Novo PAC e relatou experiência pessoal com enchentes em casa
247 - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu nesta segunda-feira (22), no Rio de Janeiro, a importância das obras de urbanização em áreas de risco e pediu que moradores acompanhem a execução dos projetos anunciados pelo governo federal no Novo PAC - Periferia Viva. Em cerimônia realizada em Guaratiba, Lula participou do anúncio de investimentos para periferias, favelas e comunidades urbanas do Rio de Janeiro, com intervenções previstas no Jardim Maravilha, no Complexo da Maré, no Complexo do Alemão e na Rocinha.
O presidente concentrou sua fala na necessidade de fiscalização popular para garantir que as obras avancem. “É o pessoal da liderança dos bairros que tem que ajudar a cobrar a execução dessas obras.”, afirmou.
Lula citou compromissos assumidos anteriormente no Rio, como os Institutos Federais na Cidade de Deus e no Complexo do Alemão, para defender que a cobrança da população ajuda a tirar projetos do papel. Ao mencionar a mobilização de moradores da Cidade de Deus, relembrou uma faixa que cobrava a construção da unidade: “Lula, você prometeu o Instituto Federal. Cadê o Instituto, Lula?”.
No Jardim Maravilha, Lula afirmou que esperava encontrar obras já em andamento, mas soube que a agenda marcava a ordem de serviço do projeto. “Eu descubro que eu não vim inaugurar, eu vim a dar ordem de serviço de uma coisa que eu achei que estava sendo feita há dois anos atrás”, disse.
O presidente reconheceu que a demora entre o anúncio e o início das intervenções ocorre, muitas vezes, pela falta de projetos prontos e pela necessidade de cumprir etapas de licitação. Ainda assim, defendeu maior agilidade. “Nós vamos encontrar um jeito de fazer as coisas acontecerem com maior rapidez”, afirmou.
O evento marcou o início das obras do PAC Jardim Maravilha, em Guaratiba. As intervenções incluem construção de dique, reservatórios para retenção das águas das chuvas, drenagem, urbanização, pavimentação e passeios. O objetivo é melhorar a mobilidade, a acessibilidade e a proteção contra enchentes, beneficiando cerca de 30 mil moradores.
Em um trecho pessoal do discurso, Lula relatou ter vivido em casas atingidas por alagamentos e afirmou conhecer o impacto das enchentes sobre famílias pobres. “Eu já morei em casa que entrou um metro e meio de água dentro da minha casa. Eu sei o que é acordar de noite com um rato nadando dentro de casa. Barata, fezes, tudo boiando dentro de casa. Eu sei o que é isso”, afirmou.
O presidente voltou a insistir que moradores e lideranças comunitárias precisam acompanhar os serviços. “Se vocês não fiscalizarem e não denunciarem para a gente, a gente fica lá em Brasília achando que está tudo maravilhoso e não está maravilhoso”, afirmou.
Além do Jardim Maravilha, o pacote inclui medidas para outras comunidades do Rio. Para o Complexo da Maré, está prevista a autorização de início da fase 1 das obras. Para o Complexo do Alemão, será assinado o contrato da operação de urbanização. Para a Rocinha, haverá contrato de financiamento voltado à urbanização da comunidade.



