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Luta pelo fim da escala 6x1 resgata essência original do 1º de maio, diz Uczai

Proposta de reduzir jornada para 40 horas reacende debate sobre saúde, produtividade e qualidade de vida dos trabalhadores, diz parlamentar

Jorge Messias (Foto: Kayo Magalhães/Câmara)

247 - A discussão sobre o fim da escala 6x1 e a redução da jornada semanal de trabalho voltou ao centro do debate político nesta sexta-feira (1º), Dia do Trabalhador, com impacto direto na vida de milhões de brasileiros e na organização do mercado de trabalho.

A avaliação foi destacada pelo líder do PT na Câmara, deputado Pedro Uczai (SC), em artigo publicado pelo portal Congresso em Foco e repercutido pela Redação do PT na Câmara. Segundo ele, a proposta em análise no Congresso representa uma mudança estrutural nas relações de trabalho no país.

Uczai afirmou que a pauta legislativa atual resgata o sentido histórico do 1º de Maio ao priorizar melhores condições de vida para a classe trabalhadora. “Pela primeira vez em muitos anos, a pauta do Congresso Nacional inclui uma proposta que pode transformar radicalmente a vida de milhões de brasileiros: o fim da escala 6×1, com a redução da jornada de trabalho de 44 para 40 horas semanais, mantendo-se a integralidade dos salários. Mais do que uma medida econômica, trata-se de uma decisão ética e civilizatória”, declarou.

O parlamentar também argumentou que jornadas extensas têm efeitos negativos não apenas para os trabalhadores, mas para a economia e a sociedade. “O mundo já percebeu, há décadas, que longas jornadas de trabalho são contraproducentes. Não funcionam para o trabalhador, que adoece; não funcionam para a economia, que se torna menos produtiva; não funcionam para a sociedade, que vê o tecido familiar e comunitário se desgastar. É preciso repetir: tempo para viver não é luxo — é necessidade humana fundamental”, afirmou.

Segundo o deputado, o avanço tecnológico ampliou a produtividade sem que os ganhos fossem distribuídos de forma proporcional aos trabalhadores. Nesse contexto, ele defende a atualização da legislação trabalhista. “A evolução tecnológica trouxe aumento extraordinário da produtividade — sem o justo compartilhamento dos ganhos dela decorrentes com quem efetivamente trabalha. Chegou a hora de o Brasil se modernizar e fazer avançar sua legislação”, disse.

A proposta de redução da jornada é apoiada pela base governista e integra iniciativas encaminhadas pelo governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, além de uma Proposta de Emenda à Constituição apresentada pelo deputado Reginaldo Lopes (PT-MG). As medidas buscam reduzir a carga semanal sem diminuição salarial, especialmente para trabalhadores submetidos a rotinas mais intensas.

O artigo também aponta dados sobre impactos da jornada prolongada. De acordo com informações citadas por Uczai, o Brasil registra altos índices de estresse ocupacional e afastamentos por saúde mental, além de números elevados de acidentes de trabalho. Ele associa esse cenário a condições laborais exaustivas e defende que a redução da jornada pode contribuir para diminuir esses indicadores.

Experiências internacionais são mencionadas como referência. Países europeus e latino-americanos têm adotado ou testado jornadas reduzidas, com resultados associados à manutenção da produtividade e melhora na qualidade de vida dos trabalhadores.

Para o líder do PT, a proposta representa mais do que uma mudança econômica. “Não se pode tratar esse assunto como tabu. Defender o fim da escala 6×1 é defender que a vida não se esgota no trabalho. É defender que trabalhar não é sinônimo de sobreviver. É defender o 1º de Maio em sua essência mais original: a luta por tempo para viver”, concluiu.

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